Vieira: Milei tem que cessar ataques para normalizar relação
Chanceler afirmou que Brasil considera primordial a relação com a Argentina
SBT News
O chanceler Mauro Vieira em entrevista a jornalistas | SBT News
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o presidente da Argentina, Javier Milei, precisa interromper imediatamente os ataques a seu par brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para que os dois países possam retomar a normalidade na relação bilateral.
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No sábado (8), Milei compartilhou uma publicação do deputado americano Carlos Gimenez xingando Lula de "porco", "corrupto" e "criminoso".
Em entrevista ao jornal argentino Clarín publicada, o chanceler brasileiro disse que as recentes declarações de Milei contra o presidente e instituições brasileiras foram graves e pediu um gesto do governo argentino para recompor o vínculo.
“A relação entre Argentina e Brasil é fundamental e transcende quem estiver no poder em qualquer momento”, afirmou Vieira, que estava em Cali, na Colômbia, para a posse do presidente Abelardo de la Espriella.
Segundo o chanceler, o governo brasileiro considera a relação com a Argentina "primordial" e espera saber se o governo Milei compartilha dessa visão.
“Essas ofensas foram muito graves. Portanto, é preciso preservar essa relação, suspender as agressões e retomar o caminho da normalidade no vínculo bilateral", disse Vieira.
O relacionamento entre os dois países passa por um momento de deterioração. Atualmente, Brasil e Argentina mantêm suas representações diplomáticas sob o comando de encarregados de negócios, após o governo brasileiro reduzir o nível de sua representação em Buenos Aires.
Vieira também rebateu acusações feitas por Milei de que o governo brasileiro teria financiado uma suposta campanha contra a Argentina e participado da campanha presidencial de Sergio Massa em 2023.
O chanceler classificou as afirmações como "invenções" e afirmou que as visitas de Massa ao Brasil ocorreram no contexto de suas funções como ministro da Economia.
Milei fez as acusações em julho, durante participação na convenção nacional do PL, em São Paulo, que confirmou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência. Na ocasião, o presidente argentino também chamou Lula de "ladrão" e "presidiário". As declarações contribuíram para o agravamento da crise entre os dois governos.
Vieira também rejeitou a caracterização de Lula como "comunista" feita por Milei e por integrantes do governo argentino. Segundo o chanceler, o presidente brasileiro nunca negou nem tentou alterar o caráter capitalista da economia do país. Para Vieira, a classificação reflete a visão política do presidente argentino.
O chanceler defendeu ainda a importância econômica da relação bilateral e disse que o Brasil continua considerando a Argentina um parceiro estratégico. Ele afirmou esperar que os embaixadores dos dois países possam voltar a seus postos quando o cenário político permitir a normalização das relações.
RELAÇÃO COM OS EUA
Na mesma entrevista, Vieira também falou sobre a deterioração da relação entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo ele, a crise se agravou depois que o governo de Donald Trump fez publicamente uma consulta ao governo brasileiro sobre seu candidato a embaixador no país, o que, na avaliação do chanceler, contrariou a Convenção de Viena.
Vieira também criticou manifestações de autoridades americanas sobre o sistema eleitoral brasileiro e a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, houve um "exagero" na forma como os Estados Unidos trataram o tema.
O ministro afirmou ainda que a suspensão do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, foi utilizada como forma de pressionar o Brasil a aceitar o indicado de Trump para a embaixada americana no país.
Segundo Vieira, porém, o pedido formal para a concessão do agrément ao diplomata ainda nem havia sido encaminhado ao presidente Lula.
Vieira: Milei tem que cessar ataques para normalizar relaçãoChanceler afirmou que Brasil considera primordial a relação com a ArgentinaMundo2026-08-09T16:32:11.598ZO ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o presidente da Argentina, Javier Milei, precisa interromper imediatamente os ataques a seu par brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para que os dois países possam retomar a normalidade na relação bilateral. No sábado (8), Milei compartilhou uma publicação do deputado americano Carlos Gimenez xingando Lula de . Em entrevista ao jornal argentino Clarín publicada, o chanceler brasileiro disse que as recentes declarações de Milei contra o presidente e instituições brasileiras foram graves e pediu um gesto do governo argentino para recompor o vínculo. “A relação entre Argentina e Brasil é fundamental e transcende quem estiver no poder em qualquer momento”, afirmou Vieira, que estava em Cali, na Colômbia, para a posse do presidente Abelardo de la Espriella. Segundo o chanceler, o governo brasileiro considera a relação com a Argentina "primordial" e espera saber se o governo Milei compartilha dessa visão. “Essas ofensas foram muito graves. Portanto, é preciso preservar essa relação, suspender as agressões e retomar o caminho da normalidade no vínculo bilateral", disse Vieira. O relacionamento entre os dois países passa por um momento de deterioração. Atualmente, Brasil e Argentina mantêm suas representações diplomáticas sob o comando de encarregados de negócios, após o governo brasileiro reduzir o nível de sua representação em Buenos Aires. Vieira também rebateu acusações feitas por Milei de que o governo brasileiro teria financiado uma suposta campanha contra a Argentina e participado da campanha presidencial de Sergio Massa em 2023. O chanceler classificou as afirmações como "invenções" e afirmou que as visitas de Massa ao Brasil ocorreram no contexto de suas funções como ministro da Economia. Milei fez as acusações em julho, durante participação na convenção nacional do PL, em São Paulo, que confirmou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência. Na ocasião, o presidente argentino também chamou Lula de "ladrão" e "presidiário". As declarações contribuíram para o agravamento da crise entre os dois governos. Vieira também rejeitou a caracterização de Lula como "comunista" feita por Milei e por integrantes do governo argentino. Segundo o chanceler, o presidente brasileiro nunca negou nem tentou alterar o caráter capitalista da economia do país. Para Vieira, a classificação reflete a visão política do presidente argentino. O chanceler defendeu ainda a importância econômica da relação bilateral e disse que o Brasil continua considerando a Argentina um parceiro estratégico. Ele afirmou esperar que os embaixadores dos dois países possam voltar a seus postos quando o cenário político permitir a normalização das relações. RELAÇÃO COM OS EUA Na mesma entrevista, Vieira também falou sobre a deterioração da relação entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, a crise se agravou depois que o governo de Donald Trump fez publicamente uma consulta ao governo brasileiro sobre seu candidato a embaixador no país, o que, na avaliação do chanceler, contrariou a Convenção de Viena. Vieira também criticou manifestações de autoridades americanas sobre o sistema eleitoral brasileiro e a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, houve um "exagero" na forma como os Estados Unidos trataram o tema. O ministro afirmou ainda que a suspensão do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, foi utilizada como forma de pressionar o Brasil a aceitar o indicado de Trump para a embaixada americana no país. Segundo Vieira, porém, o pedido formal para a concessão do agrément ao diplomata ainda nem havia sido encaminhado ao presidente Lula. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/vieira-milei-tem-que-cessar-ataques-para-normalizar-relacao