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Venezuela condena atentado com explosões em Brasília e expressa solidariedade a Lula

Comunicado do Ministério das Relações Exteriores venezuelano vem horas depois de embaixador do país no Brasil anunciar que está voltando a Brasília

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Guilherme Resck
14/11/2024, 22:11 • Atualizado em 14/11/2024, 22:11
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Venezuela disse que atentado teve o objetivo de "abalar a paz do governo" brasileiro e suas instituições | Ricardo Stuckert/PR

Venezuela disse que atentado teve o objetivo de "abalar a paz do governo" brasileiro e suas instituições | Ricardo Stuckert/PR

A Venezuela condenou, nesta quinta-feira (14), o atentado com explosões ocorrido na Praça dos Três Poderes, em Brasília, na noite de quarta (13), e manifestou "absoluta solidariedade" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao povo brasileiro.

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A nota publicada pelo Ministério das Relações Exteriores do país diz ainda que o ato teve o objetivo de "abalar a paz do governo" brasileiro e suas instituições.

"Estes acontecimentos [da última noite] demonstram, mais uma vez, o perigo que representa o avanço da onda fascista e antidemocrática que, utilizando as redes sociais e outros mecanismos de comunicação de massa, a extrema direita global tenta inocular no nosso continente para produzir desestabilização e caos social", pontua o comunicado.

A manifestação vem horas depois do embaixador da Venezuela no Brasil, Manuel Vadell, anunciar que está voltando a Brasília. Ele havia sido chamado a Caracas pelo governo Nicolás Maduro para consultas; o motivo, segundo o governo venezuelano, foram "recorrentes declarações intervencionistas e grosseiras de porta-vozes autorizados pelo governo brasileiro".

Tensões entre os países

Apesar do histórico amistoso entre Lula e Maduro, as relações se estremeceram ao longo deste ano, mesmo antes da eleição venezuelana, cujo resultado não foi reconhecido pelo Brasil.

Quando a líder da oposição, María Corina Machado, foi impedida de disputar a presidência, o Itamaraty emitiu nota dizendo que acompanhava o pleito com "preocupação". A Venezuela reclamou do posicionamento brasileiro.

Pouco antes da eleição, Maduro disse, sem citar provas, que as eleições no Brasil não são auditadas, em acusação rebatida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Novas crises ocorreram em outubro, quando o Brasil vetou entrada da Venezuela no Brics. O país de Maduro classificou a posição brasileira como "agressão inexplicável". O assessor da presidência brasileira Celso Amorim declarou que "houve uma quebra de confiança" entre os países sobre a eleição no país vizinho.

A Polícia Nacional Bolivariana da Venezuela chegou a publicar uma imagem com a bandeira do Brasil, referência a Lula e mensagem em tom ameaçador: "Quem mexe com a Venezuela se dá mal". Depois, a publicação foi apagada.

Além disso, houve a convocação do embaixador em Brasília para retornar a Caracas. Uma decisão desse tipo costuma significar descontentamento e indica que um governo não se enxerga como bem-vindo em outro território.

Em nota publicada no dia 1º de novembro, o Itamaraty relatou ter visto com "surpresa o tom ofensivo adotado por manifestações de autoridades venezuelanas em relação ao Brasil e aos seus símbolos nacionais". Posteriormente, o governo venezuelano repudiou o que chamou de "agressão" do Brasil a Maduro.

Confira a íntegra do comunicado da Venezuela:

A República Bolivariana da Venezuela expressa sua forte condenação aos recentes atentados de 13 de novembro de 2024, ocorridos na Praça dos Três Poderes, na cidade de Brasília, e que visam abalar a paz do Governo e suas instituições, expressando seu absoluta solidariedade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a todo o povo brasileiro.

Estes acontecimentos demonstram, mais uma vez, o perigo que representa o avanço da onda fascista e antidemocrática que, utilizando as redes sociais e outros mecanismos de comunicação de massa, a extrema direita global tenta inocular no nosso continente para produzir desestabilização e caos social.

A Venezuela, fiel aos seus princípios de irmandade e fraternidade, continua a trabalhar para que a nossa região seja uma zona de paz e repudia qualquer tentativa que procure destruir a estabilidade e o bem-estar do nosso povo e do mundo.

Caracas, 14 de novembro de 2024

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