Trump aumenta pressão sobre Groenlândia: 'Odeio colocar dessa forma, mas temos que ficar com ela'
Presidente norte-americano manifesta interesse na ilha desde 2017; europeus criticam plano de anexação

Camila Stucaluc
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a comentar, na quarta-feira (26), sobre uma possível anexação da Groenlândia. Subindo o tom contra o país, o republicano afirmou que Washington precisa do território para a “segurança internacional”.
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Remota e gelada, a Groenlândia é um território dinamarquês autônomo entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico. A ilha vem atraindo o interesse de Trump desde seu primeiro mandato (2017-2021) devido à alta quantidade de minérios raros. Além disso, o republicano vê vantagem militar geográfica estratégica na região.
“Acho que vamos até onde for necessário. Precisamos da Groenlândia, e o mundo precisa que tenhamos a Groenlândia, incluindo a Dinamarca. Odeio colocar dessa forma, mas temos que ficar com ela. Precisamos da Groenlândia para a segurança internacional”, disse Trump em entrevista ao podcaster Vince Coglianese.
A declaração do líder norte-americano aconteceu às vésperas da viagem do vice-presidente J.D Vance à Groenlândia – mesmo sem um convite formal. O político, que estará acompanhado de uma pequena delegação, irá desembarcar no território na sexta-feira (28) para, segundo a Casa Branca, visitar a base militar dos Estados Unidos na ilha.
Em meio à tensão internacional, os governos da Dinamarca e da Groenlândia criticaram a visita de Vance. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que Trump está exercendo uma "pressão inaceitável" sobre a ilha, enquanto o primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, acusou Washington de desrespeitar a soberania local.
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O mesmo foi dito por governos europeus, como Alemanha e França, que afirmaram que as declarações de Trump vão contra os valores ocidentais e desrespeitam o princípio da inviolabilidade das fronteiras. Em tom de ameaça, reforçaram, ainda, que a União Europeia não permitirá ataques às suas “fronteiras soberanas”.