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Tráfego em Ormuz quase para após escalada entre EUA e Irã

Irã revida ofensivas dos EUA e diz que ataques interromperam a reabertura do Estreito de Ormuz

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09/07/2026, 18:27 • Atualizado em 09/07/2026, 18:27
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Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer

Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer

O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz ficou praticamente paralisado nesta quinta-feira (9), em meio ao aumento dos riscos para a navegação após uma nova escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã. Segundo a Kpler, plataforma global que rastreia navios, apenas dois petroleiros haviam atravessado o estreito nas primeiras horas do dia.

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Empresas de navegação relataram que embarcações passaram a desligar sistemas públicos de rastreamento, dificultando a identificação do movimento de navios na região.

Também nesta quinta, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que os ataques dos Estados Unidos e a interferência no redirecionamento do tráfego marítimo prejudicaram a reabertura gradual do estreito. Segundo a organização, o fluxo de embarcações sob supervisão iraniana havia chegado a cerca de 50% dos níveis anteriores à guerra nas últimas duas semanas.

A Guarda acrescentou que qualquer nova intervenção dos EUA provocaria uma “resposta devastadora”. Os EUA e o Irã trocaram ataques pelo segundo dia consecutivo durante a noite de quarta-feira (8) e madrugada desta quinta.

O que está acontecendo em Ormuz?

Antes do conflito envolvendo o Irã, os EUA e Israel, iniciado em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz era responsável por cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo.

Apesar de ser uma rota internacional, o Irã exerce forte influência sobre a passagem e, durante a guerra, restringiu o tráfego de embarcações como forma de aumentar a pressão nas negociações. Com um acordo de entendimento entre os países em vigor nas últimas semanas, o fluxo de embarcações havia começado a se recuperar, chegando a uma média de aproximadamente 40 navios por dia. O número, porém, ainda estava bem abaixo do período anterior à guerra, quando entre 125 e 140 navios atravessavam o estreito diariamente.

A nova escalada entre Estados Unidos e Irã ocorre após ataques contra três navios comerciais no Estreito de Ormuz, que Washington atribuiu a Teerã. Em resposta, os EUA voltaram a atacar alvos iranianos e o presidente Donald Trump fez ameaças e disse que o cessar-fogo tinha acabado.

Ainda na quarta-feira, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) declarou que realizou novos ataques com o objetivo de reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação em Ormuz e disse que atingiu 90 alvos militares.

"Por ordem do Comandante em Chefe, as forças do Comando Central dos EUA iniciaram a realização de ataques adicionais contra o Irã para degradar ainda mais sua capacidade de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos estão responsabilizando o Irã pela recente agressão injustificada contra navios comerciais e tripulações civis que navegam livremente por uma via navegável internacional vital", disse o comando militar.

O Irã, por outro lado, não assumiu a autoria dos ataques aos navios comerciais e acusa Washington de usar os incidentes como justificativa. O regime respondeu que defenderá seus interesses nacionais e sua soberania e, em resposta aos ataques norte-americanos às províncias do litoral sul e do leste do Irã, as Forças Armadas iranianas lançaram ataques contra infraestruturas militares dos EUA em países vizinhos do Golfo Pérsico.

O Ministério da Saúde do Irã informou que 14 pessoas morreram e outras 78 ficaram feridas em decorrência dos dois dias de ataque dos Estados Unidos. Entre os feridos, 47 permanecem hospitalizados.

Além do impacto militar, a escalada no Estreito de Ormuz já afeta o mercado global de energia. Após os novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã, o petróleo Brent chegou a subir cerca de 5%, encerrando a sessão de quarta-feira em US$ 78,02 o barril, maior nível em mais de duas semanas. Nesta quinta-feira, os preços recuaram parcialmente, mas a incerteza sobre a retomada do tráfego pela rota estratégica manteve a preocupação dos investidores.

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