Sobrevivente de queda de avião militar na Colômbia conseguiu escapar por abertura na fuselagem
Jhony Ortiz recebeu vários pontos na cabeça e quebrou um braço; à esposa, ele afirmou estar vivo por um 'milagre'

Sofia Pilagallo
Um sobrevivente da queda do avião militar que caiu na Colômbia na segunda-feira (23), com 128 passageiros a bordo, conseguiu sair dos destroços da aeronave por uma abertura na fuselagem pouco antes de a aeronave explodir. Jhony Ortiz recebeu vários pontos na cabeça, quebrou um braço e afirmou estar vivo por um "milagre".
De Puerto Leguízamo, no departamento de Putumayo — o local do acidente —, Jhony ligou para a esposa, Natalia, por volta das 6h para avisar que sairia de licença e viajaria para Bogotá, onde moram. Um tempo depois, ligou de novo. Disse que o avião já estava em terra e que ele chegaria na cidade por volta das 8h ou 9h.
Em entrevista à rádio colombiana "Blu Radio", Natalia contou, em lágrimas, que Jhony lhe disse: "Está bem, vou entrar no avião". Então, minutos depois, ela recebeu a notícia do acidente. Inicialmente, o batalhão informou apenas que a aeronave havia caído, sem dar detalhes sobre o estado de saúde dos ocupantes.
"Passou-se mais de meia hora antes que ele me ligasse e dissesse: 'O avião em que estávamos caiu. Sofri um traumatismo craniano'", relatou Natalia, acrescentando que o marido levou vários pontos na cabeça e quebrou o braço. "Não sei a gravidade da fratura, mas ele me disse que está estável.”
À esposa, Jhony contou ter ouvido "muitos gritos" dentro do avião e que conseguiu sair dos destroços com muito esforço. A perna dele ficou presa em meio às bagagens e aos demais ocupantes da aeronave — os que morreram com o impacto e os que, assim como ele, tentavam escapar da morte.
O avião explodiu instantes depois que Jhony conseguiu sair dos destroços do avião. Ele relatou que "rezou muito" para conseguir se salvar e que "Deus lhe deu uma segunda chance de viver". Até o momento, a comunicação com o marido tem sido limitada devido à sua transferência e ao tratamento médico no Hospital Militar Central de Bogotá.
"Ele apenas me disse: 'Negra, estou bem. Deus é grande e me deu outra chance na vida. Estou vivo por um milagre'", afirmou Natalia, acrescentando que, horas antes do acidente, teve uma espécie de pressentimento. "Meu bebê acordou às cinco da manhã e não conseguiu dormir. Senti um cansaço estranho."
Até o início da noite desta terça-feira (24), o último balanço dava conta de 69 mortos e 58 feridos, muitos deles em estado grave. O chefe das Forças Armadas da Colômbia, Hugo Alejandro Lopez, informou que, das 128 pessoas a bordo do avião, havia 114 militares, 11 membros da Força Aérea e dois policiais.
O acidente ocorreu ainda na decolagem, em Puerto Leguizamo, na fronteira com o Peru. As causas ainda são investigadas, mas acredita-se que o avião tenha sofrido um impacto ao final da pista. Algumas das munições transportadas detonaram com a colisão, provocando a explosão da aeronave.









