Caso Vitor Gurman: Justiça endurece medidas contra mulher que matou jovem atropelado em 2011
Gabriela Pereira foi condenada a três anos de prisão; medidas acontecem após tentativas frustradas de indenização à família da vítima
Marco Pagetti
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou medidas cautelares contra a nutricionista Gabriela Guerreiro Pereira que atropelou e matou o jovem Vitor Gurman, em 2011, na capital paulista.
Gabriela foi condenada em 2021 a três anos de prisão, em regime aberto, por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Entre as medidas autorizadas pelo TJSP estão apreensão do passaporte, impedimento de renovação do documento, suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e bloqueio dos cartões de crédito.
Segundo a Justiça, as restrições foram adotadas após anos de tentativas frustradas para localizar bens em nome da condenada e garantir o pagamento da indenização à família da vítima.
Em 2012, antes mesmo da condenação criminal, a Justiça determinou o pagamento de uma indenização mensal de R$ 2 mil aos familiares de Vitor Gurman. Atualmente, o valor acumulado da dívida já ultrapassa R$ 2 milhões.
O tribunal entendeu que os meios tradicionais de cobrança já haviam sido esgotados, o que justificou a adoção das medidas consideradas excepcionais.
Essas restrições podem ser suspensas caso a dívida seja paga ou haja indicação de bens para garantir a indenização. A defesa de Gabriela Guerreiro Pereira informou que irá recorrer da decisão.
Relembre o caso Vitor Gurman
Na madrugada de 23 de julho de 2011, o administrador de empresas Vitor Gurman, de 24 anos, caminhava pela Rua Natingui, na Vila Madalena, quando foi atingido por uma Land Rover blindada conduzida pela nutricionista Gabriella Guerrero Pereira.
Segundo a investigação, o carro perdeu o controle, capotou, arrancou um poste e atingiu o jovem violentamente.
Vitor sofreu traumatismo craniano grave e foi levado ao Hospital das Clínicas, onde permaneceu internado em coma por cinco dias. Ele morreu em 28 de julho daquele ano.

O Ministério Público sustentou durante o processo que Gabriella havia ingerido bebida alcoólica antes de dirigir. Segundo depoimentos citados na investigação, ela admitiu ter consumido ao menos uma dose de margarita em um bar no Itaim Bibi antes de assumir a direção do veículo.
Na época do acidente, policiais militares não realizaram teste do bafômetro porque a viatura não possuía o equipamento. Ainda assim, a Promotoria apontou que havia indícios de embriaguez e destacou também a velocidade acima do permitido na via.
Um laudo da Polícia Científica indicou que a Land Rover trafegava entre 62 km/h e 92 km/h em uma rua cujo limite era de 30 km/h.
O longo processo judicial
O caso se arrastou por anos na Justiça paulista. Em 2016, o Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a condenação da nutricionista em segunda instância.
Somente em março de 2021 veio a condenação considerada definitiva em segunda instância: Gabriella Guerrero Pereira foi condenada por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, a três anos de prisão, em regime aberto.
Em maio de 2023, o Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu a pena da motorista de três para dois anos. Os desembargadores entenderam que não havia provas suficientes para comprovar embriaguez no momento do acidente.









