Mundo

China já está se abrindo a negócios, mas não do jeito que Trump quer, diz especialista

Pedido por abertura foi feito pelo presidente dos EUA a Xi Jinping, durante encontro dos líderes na China

Avatar de Sofia Pilagallo
Sofia Pilagallo
15/05/2026, 02:25 • Atualizado em 15/05/2026, 02:25
compartilhar
Donald Trump e Xi Jimping fazem reunião em Pequim | Reprodução Reuters/Kenny Holston/Pool

Donald Trump e Xi Jimping fazem reunião em Pequim | Reprodução Reuters/Kenny Holston/Pool

A China já está se abrindo a negócios internacionais, mas não da forma como Donald Trump gostaria. A avaliação é de Theo Paul Santana, especialista em negócios China/Brasil e fundador do Destino China.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O presidente americano esteve reunido com o líder Xi Jinping na quarta-feira (13), em viagem à China, e reiterou o que havia publicado em suas redes sociais: que o páis asiático se "abra" para ajudar a elevar o "nível" da República Popular.

Segundo Santana, quando o presidente dos Estados Unidos fala em "abrir" o país, ele se refere principalmente a maior acesso para empresas norte-americanas em áreas como tecnologia, serviços financeiros, plataformas digitais e propriedade intelectual. O movimento interno chinês, porém, segue outra direção.

"Pedirei ao presidente Xi, um líder de extraordinária distinção, que 'abra' a China para que essas pessoas brilhantes possam fazer sua mágica e ajudar a levar a República Popular a um nível ainda mais alto!", escreveu Trump, em referência aos CEOs de empresas americanas que o acompanham na viagem.

Segundo Santana, a China quer ampliar o consumo interno, mas isso não significa abrir espaço automaticamente para empresas ocidentais. O foco de Pequim hoje é reduzir a dependência de exportações e de investimentos pesados em infraestrutura, ao mesmo tempo em que fortalece renda, consumo, indústria tecnológica e seus próprios campeões nacionais.

Atualmente, o consumo das famílias representa cerca de 40% do PIB chinês — percentual considerado baixo para o tamanho da economia do país. Em comparação com os EUA, por exemplo, o consumo das famílias tem peso muito maior e funciona como principal motor da atividade econômica.

"Por isso, o novo plano econômico busca estimular renda, serviços, saúde, previdência e consumo doméstico", afirma Santana. Segundo ele, o governo chinês quer fazer a população consumir mais, mas priorizando empresas nacionais. "A tendência é que a China fortaleça companhias chinesas, e não necessariamente americanas, para atender essa nova demanda."

A mudança já aparece nos números. Em 2017, os Estados Unidos representavam cerca de 19% das exportações chinesas, segundo a plataforma WITS (World Integrated Trade Solution). Em 2025, essa participação caiu para perto de 10%. Paralelamente, a China ampliou suas relações comerciais com ASEAN, América Latina, Oriente Médio e África.

A própria economia chinesa mudou de perfil. O país praticamente dobrou o PIB nominal desde 2017, saindo de cerca de US$ 12 trilhões para uma projeção próxima de US$ 20 trilhões em 2026, além de consolidar liderança em setores estratégicos como veículos elétricos, baterias e energia solar. Hoje, cerca de 70% da cadeia global de baterias para veículos elétricos está concentrada na China.

Essa transformação não aconteceu por acaso. Durante décadas, o crescimento chinês foi sustentado por exportações, expansão imobiliária, grandes obras de infraestrutura e investimentos industriais em larga escala. Agora, Pequim avalia que a dependência excessiva das vendas externas deixa o país mais vulnerável a guerras comerciais, desaceleração global e tarifas.

Além disso, boa parte da competitividade chinesa vinha do baixo custo da mão de obra. Muitas empresas produziam no país porque fabricar ali era barato. Hoje, porém, a China já não depende apenas disso: desenvolveu tecnologia própria, criou gigantes nacionais e avançou em setores de alto valor agregado.

Brasil pode se beneficiar dessa mudança

De acordo com Santana, a China deixou de ser apenas uma plataforma de produção barata para empresas estrangeiras e passou a ocupar posições centrais em setores estratégicos da economia do futuro. O país hoje lidera áreas como veículos elétricos, baterias, energia solar, manufatura avançada e inteligência artificial.

Para o especialista, o consumidor chinês de maior renda valoriza atributos como rastreabilidade, qualidade, sustentabilidade e bem-estar — características nas quais o Brasil pode construir uma diferenciação competitiva relevante. Nesse cenário, a transformação do consumo chinês pode representar uma das maiores oportunidades econômicas para o Brasil na próxima década.

A demanda já aparece em números expressivos. Em 2025, a China importou cerca de US$ 8,9 bilhões (R$ 44,5 bilhões) em carne bovina brasileira. No setor cafeeiro, o acordo firmado entre a rede chinesa Luckin Coffee e exportadores brasileiros prevê compras próximas de US$ 1,4 bilhão (R$ 7 bilhões) até 2029.

"O próximo ciclo de crescimento tende a ser impulsionado por produtos premium e pelo consumo sofisticado da classe média chinesa", diz. "Alimentos saudáveis, suplementos, cosméticos naturais, própolis, mel, produtos amazônicos e turismo também apresentam forte potencial de crescimento."

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Idosa morre após ambulância bater em poste em São Paulo

Idosa morre após ambulância bater em poste em São Paulo

Imagem da notícia: Ponte nova de R$ 36 milhões desaba no interior do Acre

Ponte nova de R$ 36 milhões desaba no interior do Acre

Imagem da notícia: EUA atacam radares no Irã e abatem drones em Ormuz

EUA atacam radares no Irã e abatem drones em Ormuz

Imagem da notícia: Fifa libera entrada com garrafa de água nos estádios da Copa

Fifa libera entrada com garrafa de água nos estádios da Copa

Imagem da notícia: Idosa morre após ambulância bater em poste em São Paulo

Idosa morre após ambulância bater em poste em São Paulo

Imagem da notícia: Ponte nova de R$ 36 milhões desaba no interior do Acre

Ponte nova de R$ 36 milhões desaba no interior do Acre

Imagem da notícia: EUA atacam radares no Irã e abatem drones em Ormuz

EUA atacam radares no Irã e abatem drones em Ormuz

Imagem da notícia: Fifa libera entrada com garrafa de água nos estádios da Copa

Fifa libera entrada com garrafa de água nos estádios da Copa

Últimas notícias

Governo prorroga prazo de inscrição do Enem 2026

Estudantes e egressos ganham mais uma semana para garantir participação no principal exame de acesso ao ensino superior do país

Defesa de Robinho tenta facilitar progressão de pena

Advogados pedem que STF afaste regra de crime hediondo em condenação por estupro na Itália

Dezenas de pessoas morrem de sede no deserto do Saara

Tragédia ocorreu após caminhão que transportava cidadãos nigerianos quebrar em uma área remota perto das fronteiras do Mali e da Argélia

Lula sanciona Lei que garante renovação automática da CNH

Legislação alcança apenas os bons condutores, sem infrações nos últimos 12 meses

Paramount e Warner: Fusão pode ter novo desafio nos EUA

Com governo Trump menos rigoroso, autoridades estaduais buscam ampliar atuação na fiscalização da concorrência

Bolsonaro segue em recuperação e tem crises de soluços

Ex-presidente se encontra no 35º dia após cirurgia no ombro direito e permanece em prisão domiciliar por motivos de saúde, segundo boletim médico