Flávio diz que relação com Vorcaro foi encerrada após caso Banco Master vir à tona
Senador afirmou que buscou novos investidores para filme sobre Bolsonaro; Mário Frias diz que financiadores tinham “receio de serem perseguidos”


SBT News
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (14) que a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “foi encerrada” após o surgimento das acusações envolvendo o empresário e o Banco Master.
“A linha do tempo é decisiva. O contato ocorreu em 2024, quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente. À época, ele circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais. [...] Quando os aportes deixaram de ser cumpridos e as acusações vieram a público, a relação foi encerrada e outros investidores foram buscados”, disse em nova nota.
Flávio também voltou a afirmar que sua atuação no projeto “limitou-se à busca de investimento privado para uma obra cultural privada” e negou qualquer uso de recursos públicos ou favorecimento político.
Mensagens entre Flávio e Vorcaro, divulgadas na quarta-feira (13) pelo Intercept Brasil, mostram que o senador cobrou dinheiro do dono do Banco Master para financiar a produção do filme.
Segundo a reportagem, a negociação envolvia US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época) e ao menos R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. O material consta no primeiro celular apreendido de Vorcaro, em novembro do ano passado. A veracidade do conteúdo foi confirmada ao SBT News por fontes da Polícia Federal (PF).
O site também relatou que Flávio enviou uma mensagem a Vorcaro em 16 de novembro de 2025, um dia antes de o dono do Banco Master ser preso pela PF pela primeira vez.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo de “Dark Horse”, também voltou a se manifestar sobre o caso. Em nota divulgada na noite desta quinta-feira (14), disse que o filme começou a ser planejado em 2023 e reforçou que a produção buscou apenas financiamento privado.
“Tínhamos um ideal muito claro, não usar recurso público. Não queríamos dinheiro do povo e nem dinheiro em troca de favores”, escreveu.
Frias também declarou que a captação de recursos foi realizada principalmente em 2024 e que os investidores temiam perseguição.
“Todos que investiram no filme o fizeram com bastante receio de serem perseguidos pelo regime e sem esperar nada em troca (afinal, o que tínhamos a oferecer em 2024, além de perseguição dos inimigos?) além do retorno financeiro do projeto”, disse.
Leia a nota de Flávio Bolsonaro
“É preciso restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação política.
Minha participação no projeto do filme sobre o presidente Jair Bolsonaro limitou-se à busca de investimento privado para uma obra cultural privada, produzida nos Estados Unidos, sem recurso público, sem Lei Rouanet, sem Embratur, sem prefeitura e sem qualquer contrapartida ligada ao meu mandato.
Me relacionei com Daniel Vorcaro estritamente no papel de um filho que buscava patrocínio de um empresário para o filme em homenagem ao pai. Não houve doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política. Ele fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. Também é falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro: os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.
A linha do tempo é decisiva. O contato ocorreu em 2024, quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente. À época, ele circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais, inclusive evento empresarial em Nova York, promovido por um grande grupo de comunicação braseiro, em maio de 2024, no qual foi apresentado ao mercado americano.
É nesse contexto que buscamos o investimento no filme.
Quando os aportes deixaram de ser cumpridos e as acusações vieram a público, a relação foi encerrada e outros investidores foram buscados.
Não vou aceitar que nos misturem com os bandidos do PT. As relações são completamente distintas. Não houve reunião fora de agenda com presidente da República, pagamento a ex-ministro por acesso ao governo, contrato milionário com o ministro da justiça, que é o chefe da PF, nem houve qualquer promessa de favorecimento ao banqueiro.
Tentar colocar todos na mesma vala é uma distorção política inaceitável.
Por isso, defendo que todos os fatos sejam investigados com rigor e transparência. Por isso, exigimos a CPI do Master já.”









