São Paulo lidera número de notificações de violência sexual infantil em 2025
Levantamento da Fundação Abrinq com base em dados do Ministério da Saúde aponta mais de 14 mil casos informados no estado


SBT News
O Estado de São Paulo registrou 14.124 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2025, o maior número registrado no país, segundo dados compilados pela Fundação Abrinq a partir de dados do Ministério da Saúde.
Ao todo, o Brasil contabilizou 59.887 casos no período. Nos últimos 11 anos, foram contabilizadas 422.994 notificações, o que representa um aumento de 183,5% no período.
A região Sudeste concentrou 43,5% das notificações nacionais, com 26.059 registros. Na sequência aparecem:
- Sul: 11.949 casos
- Nordeste: 9.600 casos
- Norte: 7.733 casos
- Centro-Oeste: 4.546 casos
Segundo a Fundação Abrinq, os números refletem não apenas diferenças populacionais, mas também desigualdades na capacidade de notificação e no acesso aos serviços de proteção em cada região.
Campanha alerta para sinais de abuso infantil
Com a proximidade do dia 18 de maio, data do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a Fundação Abrinq lançou mais uma edição da campanha “Pode Ser Abuso”.
A iniciativa busca conscientizar familiares, educadores e profissionais sobre sinais que podem indicar situações de violência sexual contra menores.
Segundo a entidade, a violência sexual contra crianças e adolescentes segue sendo uma das violações mais invisíveis, frequentemente encoberta pelo medo, pela vergonha e, muitas vezes, pela proximidade entre vítima e agressor.
Entre os principais alertas estão: isolamento repentino, medo excessivo, agressividade, queda no rendimento escolar e mudanças bruscas de comportamento.
Abuso também acontece no ambiente digital
Segundo a entidade, situações como aliciamento virtual, troca de mensagens de cunho sexual, exposição a conteúdos inadequados e manipulação psicológica podem causar impactos graves no desenvolvimento das vítimas — mesmo sem contato físico.
Mudanças de comportamento continuam sendo um dos principais sinais de alerta. Isolamento, medo repentino, alterações de humor e resistência ao uso de determinados aplicativos ou redes sociais podem indicar situações de risco.
A Fundação Abrinq reforça ainda que a escuta ativa e o diálogo entre responsáveis e crianças são fundamentais para a prevenção e identificação de possíveis casos de abuso.
“Criar um ambiente de confiança, no qual crianças e adolescentes se sintam seguros para falar, é um passo necessário para a prevenção e o enfrentamento dessa violência”, afirmou Victor Graça, superintendente da entidade.
Casos suspeitos podem ser denunciados pelo Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos.









