Juíza demitida por Trump processa governo por discriminação racial e sexual
Processo movido por Florence Chamberlin é o quarto aberto recentemente por juízes demitidos que acusam o Departamento de Justiça de discriminação
Sofia Pilagallo
14/05/2026, 22:56 • Atualizado em 14/05/2026, 23:42
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Molly Riley/White House
Uma juíza federal de imigração dos Estados Unidos, nomeada para o cargo em 2023 por Joe Biden, está processando o governo de Donald Trump após ter sido demitida. Florence Chamberlin alega que foi desligada ilegalmente dois anos depois de sua indicação, por causa de seu sexo, raça e opíniões políticas.
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Em um processo de discriminação apresentado na terça-feira (12), Florence, que é advogada e defensora de longa data dos direitos dos imigrantes, afirma que o Departamento de Justiça de Donald Trump se opôs ao seu histórico de "defesa dos imigrantes e de seus direitos antes de sua contratação" e por ela ser uma mulher cubana.
Ela alega que sua filiação ao Partido Democrata foi usada contra ela por importantes aliados de Trump — como o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e a então procuradora-geral Pam Bondi —, que ainda acusaram organizações e advogados de defesa dos imigrantes de "cometerem fraude imigratória" e os rotularam de "extremistas alinhados ao terrorismo doméstico".
A denúncia cita ainda que vários juízes de imigração que "nunca haviam representado ou defendido não-cidadãos", que atuavam ao lado de Florence, foram mantidos em seus cargos. Um exemplo é o Procurador-Geral interino Todd Blanche, ex-advogado de defesa pessoal de Trump.
O processo movido por Florence é o quarto aberto recentemente por juízes demitidos que acusam o Departamento de Justiça de discriminação. As denúncias acusam o órgão de visar deliberadamente juízes com ascendência hispânica ou latina, do Oriente Médio ou asiática, ou com histórico de apoio aos direitos dos imigrantes, e de substituí-los por homens brancos.
"O presidente adotou a posição de que pode demitir pessoas por causa da idade, da raça ou por terem uma deficiência", afirmou ao jornal "The Independent" o advogado Kevin Owen, que representa Florence. "Nossa opinião é que o Poder Executivo não está imune às leis de direitos civis", completou ele, acrescentando que outros três casos estão prontos para serem encaminhados à Justiça.
Outro caso
Em setembro, o SBT News entrevistou, com exclusividade, a juíza federal Karen Ortiz, de origem porto-riquenha, que foi demitida da Comissão para a Igualdade de Oportunidades no Emprego (EEOC, na sigla em inglês) após confrontar a presidência da agência. O desligamento ocorreu depois que ela questionou uma diretriz que previa a "despriorização" de casos de discriminação envolvendo pessoas transgênero.
A política não era velada, mas explícita, e fora repassada formalmente aos funcionários. Ao se deparar com a orientação, comunicada por e-mail, Karen soube que precisava se posicionar, e assim o fez. Em um ato de coragem, ela escreveu duas mensagens a Andrea Lucas, presidente da EEOC.
Na mensagem, Karen afirmou que as ações eram "ilegais e inconstitucionais" e que Andrea não estava "apta" a ser a presidente da agência, "muito menos exercer a advocacia", acrescentando que não comprometeria sua "ética" e "dever de cumprir a lei". Um mês depois, ela foi demitida por "conduta imprópria".
Juíza demitida por Trump processa governo por discriminação racial e sexualProcesso movido por Florence Chamberlin é o quarto aberto recentemente por juízes demitidos que acusam o Departamento de Justiça de discriminaçãoMundo2026-05-14T22:56:09.884ZUma juíza federal de imigração dos Estados Unidos, nomeada para o cargo em 2023 por Joe Biden, está processando o governo de Donald Trump após ter sido demitida. Florence Chamberlin alega que foi desligada ilegalmente dois anos depois de sua indicação, por causa de seu sexo, raça e opíniões políticas. Em um processo de discriminação apresentado na terça-feira (12), Florence, que é advogada e defensora de longa data dos direitos dos imigrantes, afirma que o Departamento de Justiça de Donald Trump se opôs ao seu histórico de "defesa dos imigrantes e de seus direitos antes de sua contratação" e por ela ser uma mulher cubana. Ela alega que sua filiação ao Partido Democrata foi usada contra ela por importantes aliados de Trump — como o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e a então procuradora-geral Pam Bondi —, que ainda acusaram organizações e advogados de defesa dos imigrantes de "cometerem fraude imigratória" e os rotularam de "extremistas alinhados ao terrorismo doméstico". A denúncia cita ainda que vários juízes de imigração que "nunca haviam representado ou defendido não-cidadãos", que atuavam ao lado de Florence, foram mantidos em seus cargos. Um exemplo é o Procurador-Geral interino Todd Blanche, ex-advogado de defesa pessoal de Trump. O processo movido por Florence é o quarto aberto recentemente por juízes demitidos que acusam o Departamento de Justiça de discriminação. As denúncias acusam o órgão de visar deliberadamente juízes com ascendência hispânica ou latina, do Oriente Médio ou asiática, ou com histórico de apoio aos direitos dos imigrantes, e de substituí-los por homens brancos. "O presidente adotou a posição de que pode demitir pessoas por causa da idade, da raça ou por terem uma deficiência", afirmou ao jornal "The Independent" o advogado Kevin Owen, que representa Florence. "Nossa opinião é que o Poder Executivo não está imune às leis de direitos civis", completou ele, acrescentando que outros três casos estão prontos para serem encaminhados à Justiça. Outro caso Em setembro, o , de origem porto-riquenha, que foi demitida da Comissão para a Igualdade de Oportunidades no Emprego (EEOC, na sigla em inglês) após confrontar a presidência da agência. O desligamento ocorreu depois que ela questionou uma diretriz que previa a "despriorização" de casos de discriminação envolvendo pessoas transgênero. A política não era velada, mas explícita, e fora repassada formalmente aos funcionários. Ao se deparar com a orientação, comunicada por e-mail, Karen soube que precisava se posicionar, e assim o fez. Em um ato de coragem, ela escreveu duas mensagens a Andrea Lucas, presidente da EEOC. Na mensagem, Karen afirmou que as ações eram "ilegais e inconstitucionais" e que Andrea não estava "apta" a ser a presidente da agência, "muito menos exercer a advocacia", acrescentando que não comprometeria sua "ética" e "dever de cumprir a lei". Um mês depois, ela foi demitida por "conduta imprópria".São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/juiza-demitida-por-trump-processa-governo-por-discriminacao-racial-e-sexual