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Reação internacional a ataque dos EUA à Venezuela foi “pífia”, avalia Roberto Azevêdo

Diplomata diz que Brasil deve ir além do discurso diplomático e pensar em formas de aumentar os custos de ações unilaterais na América do Sul

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SBT News
06/01/2026, 00:46 • Atualizado em 06/01/2026, 00:46
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O diplomata Roberto Azevêdo em entrevista ao Poder Expresso, do SBT News | Reprodução/SBT News

O diplomata Roberto Azevêdo em entrevista ao Poder Expresso, do SBT News | Reprodução/SBT News

O diplomata Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), avaliou nesta segunda-feira (5) que a resposta da comunidade internacional ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela foi “pífia”.

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“Os Estados Unidos fizeram tudo isso sem a menor preocupação. Não houve um minuto de perda de sono com relação à ONU ou ao que o sistema multilateral possa fazer, nem com a reação da comunidade internacional como um todo”, disse em entrevista ao programa Poder Expresso, do SBT News.

Segundo Azevêdo, o episódio expõe um cenário de enfraquecimento das instituições multilaterais e de crescente imprevisibilidade na geopolítica internacional.

“Era de se esperar um debate muito mais acalorado internacionalmente no sistema multilateral e nada disso aconteceu”, afirmou.

Para o diplomata, o mundo vive hoje uma lógica em que as regras construídas ao longo de décadas vêm sendo ignoradas.

“Hoje prevalece um pouco — e já falamos disso há muito tempo com relação ao comércio e agora vemos também do ponto de vista político-militar — a lei da selva”, afirmou.

Nesse contexto, segundo Azevêdo, ações são tomadas sem preocupação em justificá-las formalmente, desde que o outro lado não tenha capacidade de resposta.

“Se eu posso fazer alguma coisa e você — o adversário — não pode reagir ou não está em condições de reagir, então eu vou fazer, independentemente do que dizem as regras internacionais vigentes nos últimos 80 anos”, afirmou.

Ao tratar dos reflexos para a América do Sul, Azevêdo disse que o Brasil precisa se atentar ao novo ambiente geopolítico. Ele descartou, no entanto, uma resposta baseada em rearmamento.

“Eu diria até que, na nossa própria região, o Brasil tem que se preocupar, sim, com isso tudo. Não acho que o Brasil deva entrar numa aventura de rearmamento para impedir uma ação militar brutal dos Estados Unidos, mas tem que pensar em aumentar os custos para uma iniciativa desse tipo, seja no nosso território, seja no território dos países vizinhos”, declarou.

Segundo o diplomata, pressões eficazes passam, sobretudo, pela dimensão econômica.

“Apenas falar, ter um discurso mais forte, sem capacidade de ação e de entregar resultados que tenham impacto econômico direto não faz sentido”, afirmou, ao acrescentar que os Estados Unidos só recuaram em outras ocasiões quando seus interesses econômicos foram claramente ameaçados.

Ainda assim, Azevêdo defendeu que o Brasil continue a se posicionar formalmente.

“Isso não significa que não devamos fazer manifestações diplomáticas ou recriminações formais. Devemos, sim. Mas precisamos ser realistas: isso não é suficiente”, avaliou.

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