Política

Ala do governo defende que Lula mantenha cautela e deixe crise da Venezuela com o Itamaraty

Presidente está em recesso no Rio de Janeiro; auxiliares defendem que, ao retornar, mantenha postura meticulosa

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Presidente Lula (PT) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm defendido que os posicionamentos do governo brasileiro sobre a Venezuela fiquem concentrados no Itamaraty. A orientação é que o tema seja tratado de forma técnica e diplomática, fora do centro do debate político interno, como forma de reduzir riscos de desgaste para o Palácio do Planalto.

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A recomendação ocorre apesar das críticas internas do governo à atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da avaliação, dentro do Planalto, de que o episódio é grave e preocupante. Auxiliares de Lula afirmam que o uso direto da força com objetivo político na América do Sul representa uma ruptura relevante, algo que, segundo eles, não ocorria no continente havia muito tempo.

A principal preocupação da diplomacia é a ordem geopolítica. Fontes avaliam que o episódio pode estar relacionado à disputa por recursos naturais, sobretudo petróleo, o que ampliaria os riscos de instabilidade regional e exigiria uma resposta cuidadosa, articulada por meio de canais diplomáticos e foros multilaterais.

Já integrantes da ala política do governo, embora concordem com o diagnóstico sobre a gravidade das ações, sustentam uma leitura distinta do ponto de vista estratégico. Para esse grupo, manter o tema sob protagonismo do Itamaraty é uma decisão essencialmente pragmática, com foco no calendário eleitoral de 2026.

A avaliação é de que a Venezuela é um assunto sensível no debate público brasileiro e com alto potencial de exploração eleitoral pela oposição. Auxiliares alertam que bolsonaristas podem tentar capitalizar ainda mais o episódio, especialmente em torno da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Diante desse cenário, a estratégia defendida por esse grupo é reduzir ruídos, preservar a política externa como um espaço técnico e evitar que o episódio seja arrastado para o centro da disputa eleitoral. A expectativa agora, porém, é sobre como Lula absorverá essas recomendações e qual será o tom de suas declarações públicas após o recesso no Rio de Janeiro.

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