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"Processo legal não foi concedido": familiares de vítimas de ataque dos EUA contra barco no Caribe exigem justiça

Chad "Charpo" Joseph e Rishi Samaroo, de Trindade e Tobago, possivelmente estão entre os mortos de ofensiva americana, realizada sob alegação de narcotráfico

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Sofia Pilagallo
17/10/2025, 23:19 • Atualizado em 17/10/2025, 23:21
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Lynette Burnley, tia de Chad Joseph, jovem que possivelmente está entre os mortos de ataque dos EUA contra barco no Caribe | Foto: Reuters - 16.10.2025

Lynette Burnley, tia de Chad Joseph, jovem que possivelmente está entre os mortos de ataque dos EUA contra barco no Caribe | Foto: Reuters - 16.10.2025

Familiares de dois homens de Trindade e Tobago que teriam sido mortos no último ataque dos Estados Unidos contra barcos no Caribe acusaram o presidente dos EUA, Donald Trump, de "matar pessoas pobres" sem o devido processo legal e exigem justiça.

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Chad "Charpo" Joseph e Rishi Samaroo, da vila de pescadores de Las Cuevas, no norte do país, possivelmente estão entre as vítimas do ataque de terça-feira (14), que Trump descreveu como "narcoterroristas".

Ao jornal britânico The Guardian, uma prima de Joseph, La Toya, de 42 anos, afirmou que seu ente querido teve negado o direito básico ao devido processo legal e acusou o governo de Trindade e Tobago de abrir mão de sua soberania em favor dos EUA. Ela questionou por que as autoridades americanas decidiram destruir o barco, matando todas as pessoas a bordo, em vez de deter seus ocupantes e interrogá-los.

"Todos têm direito ao devido processo legal, e o devido processo legal não foi concedido", disse La Toya durante o velório de Joseph, na noite de quinta-feira (17). "Parece que não estamos mais sob o nosso governo quando se trata das águas – essas não são as águas de Trindade."

Outros familiares e membros da comunidade partilharam sua revolta ao The Guardian. Um tio de Joseph, identificado apenas como "Dollars", afirmou que Trump está "matando pessoas pobres sem mais nem menos" porque "está atrás do gás e do petróleo das pessoas".

Uma tia da vítima, Lynette Burnley, denunciou que o governo não contatou a família em nenhum momento desde que surgiram os primeiros relatos da morte do sobrinho. Enquanto isso, pessoas "de todos os lugares" estariam ligando para eles.

Na quinta-feira, a primeira-ministra de Trindade, Kamla Persad-Bissessar, que já havia expressado forte apoio a uma operação militar dos EUA na região, evitou perguntas de repórteres sobre o ataque americano que supostamente matou Joseph e Samaroo. Lynette repudiou a forma com que Kamla tem lidado com a situação, dizendo que as vítimas estão sendo tratadas como se "não existissem".

A avó de Joseph, Christine Clement, endossou a opinião de Lynette, afirmando que o governo virou as costas para a família e que o único apoio que teve, desde o início, foi da comunidade local. Ela acrescenta que era muito próxima do neto e que ele havia se mudado da casa da mãe, em outra vila de pescadores, Matelot, para morar com ela.

"Todos estão feridos, porque nesta comunidade todos são familiares, amigos e próximos... Na nossa própria polícia, ninguém vem fazer perguntas. Não há investigação, nada", disse.

Desde o início de setembro, os EUA realizaram uma série de ataques contra embarcações na costa venezuelana, resultando em ao menos 27 mortes. Trump argumenta que o país está envolvido em uma guerra contra grupos narcoterroristas da Venezuela, o que tornaria os ataques legítimos.

A Venezuela, por sua vez, classifica as ofensivas como "execuções extrajudiciais" e uma "sentença de morte" em alto-mar. Segundo Caracas, os EUA buscam "fabricar um conflito" para justificar uma invasão e destituir o atual governo.

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