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Pentágono pede que Europa modere retórica contra a Rússia

Informação sobre conversas que ocorreram nas últimas semanas foi compartilhada por fontes à agência Reuters

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André de Sena, com informações da Reuters
Vista aérea do Pentágono, em Washington, nos EUA | Foto: Joshua Roberts/Reuters - 03.03.2022

Vista aérea do Pentágono, em Washington, nos EUA | Foto: Joshua Roberts/Reuters - 03.03.2022

Nas últimas semanas, autoridades do Pentágono solicitaram a vários países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental, que moderem sua retórica em relação às ameaças da Rússia contra o continente europeu. A informação foi compartilhada com a agência de notícias Reuters por três fontes europeias e uma norte-americana familiarizadas com o assunto, que falaram sob condição de anonimato.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos teria argumentado que algumas declarações contrárias a Moscou proferidas por líderes e autoridades europeias prejudicam a segurança do continente.

Entre os países que teriam sido instados por Washington em reuniões bilaterais estão Estônia, Letônia e Lituânia, banhados pelo Mar Báltico. Nesta quinta-feira (29), o presidente russo Vladimir Putin afirmou não desejar que o Mar Báltico enfrente uma situação semelhante à do Estreito de Ormuz, bloqueado por conta da guerra entre Estados Unidos e Irã.

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Não ficou claro quais outros governos europeus receberam a mensagem passada pelos Estados Unidos. Mas as fontes ouvidas pela Reuters disseram que uma das autoridades responsáveis por transmiti-la foi o chefe de política do Pentágono, Elbridge Colby, figura-chave na revisão que o governo dos EUA está fazendo da distribuição de suas tropas pela Europa.

Elbridge Colby, subsecretário de Defesa para Políticas dos Estados Unidos, discursa durante cerimônia de inauguração do Memorial das Operações Escudo do Deserto e Tempestade no Deserto, em Washington | Daniel Heuer/Reuters
Elbridge Colby, subsecretário de Defesa para Políticas dos Estados Unidos, discursa durante cerimônia de inauguração do Memorial das Operações Escudo do Deserto e Tempestade no Deserto, em Washington | Daniel Heuer/Reuters

Segundo uma das fontes, alguns líderes europeus sugeriram que a Rússia está encurralada e recorrendo a medidas cada vez mais desesperadas.

O pedido do Pentágono ocorre em um momento no qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressiona a Ucrânia a realizar negociações com a Rússia para dar um fim à guerra, que se arrasta desde fevereiro de 2022. A iniciativa norte-americana inclui não apenas o alívio das sanções contra Moscou, mas também a solicitação para que Kiev deixe de atacar a infraestrutura energética russa.

Nesta sexta-feira (30), o assessor do Kremlin Yuri Ushakov afirmou que a Ucrânia está ignorando o pedido feito por Trump e continua a atacar refinarias de petróleo.

Conversas entre Kiev e Moscou devem acontecer em novembro, mediadas pelos Estados Unidos. As reuniões vão ocorrer na capital dos Emirados Árabes, Abu Dhabi. A data ainda não foi anunciada.

Tensão no Mar Báltico

No mesmo dia em que fez a declaração sobre o Mar Báltico, Putin disse que a Rússia está pronta para uma guerra com a Europa. Apesar do tom ameaçador, ele afirmou que o Kremlin apoia quaisquer medidas que visem restabelecer as relações com os países europeus.

Nessa sexta-feira, a Otan testou novas tecnologias bélicas, inclusive drones e sistemas anti-drone. A demonstração ocorreu na base militar de Adazi, na Letônia, justamente um dos países que teriam recebido a mensagem do Pentágono.

De acordo com o site da Agência de Comunicações e Informação da Otan (NCIA), o teste faz parte do Experimento de Infraestrutura Digital (DiBaX) realizado pelo grupo.

“A experimentação deste ano centra-se na espinha dorsal digital da NATO, a camada fundamental de software, redes e infraestrutura integrados que permite às forças aliadas conectarem-se, partilharem dados e operarem em conjunto”, afirmou o site.

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