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PCC e CV se unem a Al-Qaeda e Hamas em lista de terrorismo

Designação feita pelo governo dos Estados Unidos entrará em vigor em 5 de junho

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Camila Stucaluc
29/05/2026, 09:23 • Atualizado em 29/05/2026, 10:20
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PCC possui origem prisional e surgiu logo após o Massacre do Carandiru | Antonio Cruz/Agência Brasil

PCC possui origem prisional e surgiu logo após o Massacre do Carandiru | Antonio Cruz/Agência Brasil

Os Estados Unidos decidiu classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida, anunciada na quinta-feira (28), entrará em vigor em 5 de junho.

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Pelas redes sociais, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que as facções "são as mais perigosas do Brasil", com um alcance que se estende até o território norte-americano, sobretudo devido ao tráfico de drogas. O objetivo da medida, segundo ele, é proteger a segurança nacional.

“Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Seu alcance se estende por toda a nossa região e até o país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas", escreveu.

A partir de junho, o PCC e o CV integrarão a lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT, na sigla em inglês). O mecanismo é utilizado pelos Estados Unidos para atingir financeiramente organizações consideradas 'ameaças internacionais', com sanções e congelamento de ativos.

O governo ainda avalia enquadrar as facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês), considerada mais severa. O cadastro, criado em 1996, durante o governo de Bill Clinton, mira grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas ou que tenham capacidade ou intenção de realizar atos desse tipo.

Atualmente, a FTO conta com 94 organizações, incluindo o Estado Islâmico, a Al-Qaeda e o Hamas. Os últimos a serem incluídos no cadastro foram a Irmandade Muçulmana Libanesa, em janeiro de 2026, e a Irmandade Muçulmana Sudanesa, em março.

Veja a lista completa:

  • Hamas (1997)
  • Hezbollah (1997)
  • Frente de Libertação da Palestina (1997)
  • Jihad Islâmica Palestina (1997)
  • Frente Popular para a Libertação da Palestina (1997)
  • Comando-Geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina (1997)
  • Partido/Frente Revolucionária de Libertação do Povo (1997)
  • Sendero Luminoso (1997)
  • Grupo Abu Sayyaf (1997)
  • Harakat ul-Mujahidin (1997)
  • Partido dos Trabalhadores do Curdistão (1997)
  • Tigres de Libertação do Tamil Eelam (1997)
  • Exército de Libertação Nacional (1997)
  • Al-Qaeda (1999)
  • Movimento Islâmico do Uzbequistão (2000)
  • Novo Exército Republicano Irlandês (2001)
  • Lashkar-e-Taiba (2001)
  • Jaish-e-Mohammed (2001)
  • Jemaah Islamiya (2002)
  • Partido Comunista das Filipinas/Novo Exército do Povo (2002)
  • Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (2002)
  • Asbat al-Ansar (2002)
  • Brigada dos Mártires de Al-Aqsa (2002)
  • Lashkar-i-Jhangvi (2003)
  • Estado Islâmico (2004)
  • Exército Republicano Irlandês da Continuidade (2004)
  • Ansar al-Islam (2004)
  • União da Jihad Islâmica (2005)
  • Al-Shabaab (2008)
  • Movimento da Jihad Islâmica em Bangladesh (2008)
  • Brigadas do Hezbollah (2009)
  • Luta Revolucionária (2009)
  • Al-Qaeda na Península Arábica (2010)
  • Jaysh al-Adl (2010)
  • Tehrik-e Taliban Paquistão (2010)
  • Movimento da Jihad Islâmica (2010)
  • Exército do Islã (2011)
  • Mujahideen Indianos (2011)
  • Rede Haqqani (2012)
  • Brigadas Abdallah Azzam (2012)
  • Jemaah Anshorut Tauhid (2012)
  • Ansar al-Dine (2013)
  • Boko Haram (2013)
  • Ansaru (2013)
  • Batalhão Al-Mulathamun (2013)
  • Estado Islâmico Província do Sinai (2014)
  • Ansar al-Sharia em Benghazi (2014)
  • Ansar al-Sharia em Darnah (2014)
  • Ansar al-Sharia na Tunísia (2014)
  • Exército dos Homens da Ordem Naqshbandi (2015)
  • Al-Qaeda no Subcontinente Indiano (2016)
  • Estado Islâmico na Líbia (2016)
  • Estado Islâmico Província de Khorasan (2016)
  • Hizbul Mujahideen (2017)
  • Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (2018)
  • Brigadas Al-Ashtar (2018)
  • Estado Islâmico no Grande Saara (2018)
  • Estado Islâmico na África Ocidental (2018)
  • Estado Islâmico nas Filipinas (2018)
  • Estado Islâmico em Bangladesh (2018)
  • Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (2019)
  • Liga dos Justos (2020)
  • Movimento dos Braços do Egito (2021)
  • Estado Islâmico na República Democrática do Congo (2021)
  • Estado Islâmico em Moçambique (2021)
  • Segunda Marquetalia (2021)
  • Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (2021)
  • Cartel de Sinaloa (2025)
  • Cartel Jalisco Nova Geração (2025)
  • Cartel del Noreste (2025)
  • Nova Família Michoacana (2025)
  • Cartel do Golfo (2025)
  • Cartéis Unidos (2025)
  • Tren de Aragua (2025)
  • Mara Salvatrucha (2025)
  • Ansarallah (2025)
  • Viv Ansanm (2025)
  • Gran Grif (2025)
  • Exército de Libertação do Baluchistão (2025)
  • Los Choneros (2025)
  • Los Lobos (2025)
  • Harakat al-Nujaba (2025)
  • Harakat Ansar Allah al-Awfiya (2025)
  • Kata'ib Sayyid ul-Shuhada (2025)
  • Brigadas Imam Ali (2025)
  • Barrio 18 (2025)
  • Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional (2025)
  • Justiça Proletária Armada (2025)
  • Autodefesa Revolucionária de Classe (2025)
  • Antifa Leste (2025)
  • Cartel de los Soles (2025)
  • Clã do Golfo (2025)
  • Irmandade Muçulmana do Líbano (2026)
  • Irmandade Muçulmana do Sudão (2026)

O que muda com a decisão?

A classificação do PCC e CV como organizações terroristas permite aos Estados Unidos ampliar sanções financeiras, congelar ativos sob jurisdição norte-americana e restringir relações econômicas com pessoas ou empresas ligadas às facções criminosas. É o que explica William Pimentel, diretor jurídico da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra - SP.

Na prática, a medida cria uma nova barreira econômica internacional. Bancos, fintechs, corretoras, seguradoras, empresas de logística, operadoras de câmbio e companhias com exposição ao dólar — especialmente conectadas ao sistema Swift — tendem a intensificar mecanismos de controle e evitar qualquer vínculo com ativos, empresas, pessoas ou estruturas potencialmente relacionadas às organizações.

“Embora o impacto jurídico direto no Brasil seja limitado, os efeitos econômicos e regulatórios devem ser percebidos em setores considerados sensíveis, como combustíveis, logística, apostas, fintechs, criptoativos, comércio exterior, construção civil e meios de pagamento. A expectativa é de ampliação das exigências de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo”, diz Pimentel.

Por que o PCC não é considerado terrorista no Brasil?

A Lei Antiterrorismo brasileira (Lei nº 13.260) tipifica o terrorismo como a prática de atos violentos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, motivados por razões de xenofobia, religião, ideologia política ou preconceito, com pena de reclusão de 12 a 30 anos.

Isso significa que, para ser enquadrado como terrorismo, as ações não podem ser somente econômicas ou criminais, como é o caso de muitas facções brasileiras, mas precisam ter como objetivo provocar medo coletivo, pressionar autoridades ou desestabilizar instituições a partir de motivação política.

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