PCC e CV se unem a Al-Qaeda e Hamas em lista de terrorismo
Designação feita pelo governo dos Estados Unidos entrará em vigor em 5 de junho


PCC possui origem prisional e surgiu logo após o Massacre do Carandiru | Antonio Cruz/Agência Brasil
Os Estados Unidos decidiu classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida, anunciada na quinta-feira (28), entrará em vigor em 5 de junho.
Pelas redes sociais, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que as facções "são as mais perigosas do Brasil", com um alcance que se estende até o território norte-americano, sobretudo devido ao tráfico de drogas. O objetivo da medida, segundo ele, é proteger a segurança nacional.
“Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Seu alcance se estende por toda a nossa região e até o país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas", escreveu.
A partir de junho, o PCC e o CV integrarão a lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT, na sigla em inglês). O mecanismo é utilizado pelos Estados Unidos para atingir financeiramente organizações consideradas 'ameaças internacionais', com sanções e congelamento de ativos.
O governo ainda avalia enquadrar as facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês), considerada mais severa. O cadastro, criado em 1996, durante o governo de Bill Clinton, mira grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas ou que tenham capacidade ou intenção de realizar atos desse tipo.
Atualmente, a FTO conta com 94 organizações, incluindo o Estado Islâmico, a Al-Qaeda e o Hamas. Os últimos a serem incluídos no cadastro foram a Irmandade Muçulmana Libanesa, em janeiro de 2026, e a Irmandade Muçulmana Sudanesa, em março.
Veja a lista completa:
- Hamas (1997)
- Hezbollah (1997)
- Frente de Libertação da Palestina (1997)
- Jihad Islâmica Palestina (1997)
- Frente Popular para a Libertação da Palestina (1997)
- Comando-Geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina (1997)
- Partido/Frente Revolucionária de Libertação do Povo (1997)
- Sendero Luminoso (1997)
- Grupo Abu Sayyaf (1997)
- Harakat ul-Mujahidin (1997)
- Partido dos Trabalhadores do Curdistão (1997)
- Tigres de Libertação do Tamil Eelam (1997)
- Exército de Libertação Nacional (1997)
- Al-Qaeda (1999)
- Movimento Islâmico do Uzbequistão (2000)
- Novo Exército Republicano Irlandês (2001)
- Lashkar-e-Taiba (2001)
- Jaish-e-Mohammed (2001)
- Jemaah Islamiya (2002)
- Partido Comunista das Filipinas/Novo Exército do Povo (2002)
- Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (2002)
- Asbat al-Ansar (2002)
- Brigada dos Mártires de Al-Aqsa (2002)
- Lashkar-i-Jhangvi (2003)
- Estado Islâmico (2004)
- Exército Republicano Irlandês da Continuidade (2004)
- Ansar al-Islam (2004)
- União da Jihad Islâmica (2005)
- Al-Shabaab (2008)
- Movimento da Jihad Islâmica em Bangladesh (2008)
- Brigadas do Hezbollah (2009)
- Luta Revolucionária (2009)
- Al-Qaeda na Península Arábica (2010)
- Jaysh al-Adl (2010)
- Tehrik-e Taliban Paquistão (2010)
- Movimento da Jihad Islâmica (2010)
- Exército do Islã (2011)
- Mujahideen Indianos (2011)
- Rede Haqqani (2012)
- Brigadas Abdallah Azzam (2012)
- Jemaah Anshorut Tauhid (2012)
- Ansar al-Dine (2013)
- Boko Haram (2013)
- Ansaru (2013)
- Batalhão Al-Mulathamun (2013)
- Estado Islâmico Província do Sinai (2014)
- Ansar al-Sharia em Benghazi (2014)
- Ansar al-Sharia em Darnah (2014)
- Ansar al-Sharia na Tunísia (2014)
- Exército dos Homens da Ordem Naqshbandi (2015)
- Al-Qaeda no Subcontinente Indiano (2016)
- Estado Islâmico na Líbia (2016)
- Estado Islâmico Província de Khorasan (2016)
- Hizbul Mujahideen (2017)
- Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (2018)
- Brigadas Al-Ashtar (2018)
- Estado Islâmico no Grande Saara (2018)
- Estado Islâmico na África Ocidental (2018)
- Estado Islâmico nas Filipinas (2018)
- Estado Islâmico em Bangladesh (2018)
- Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (2019)
- Liga dos Justos (2020)
- Movimento dos Braços do Egito (2021)
- Estado Islâmico na República Democrática do Congo (2021)
- Estado Islâmico em Moçambique (2021)
- Segunda Marquetalia (2021)
- Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (2021)
- Cartel de Sinaloa (2025)
- Cartel Jalisco Nova Geração (2025)
- Cartel del Noreste (2025)
- Nova Família Michoacana (2025)
- Cartel do Golfo (2025)
- Cartéis Unidos (2025)
- Tren de Aragua (2025)
- Mara Salvatrucha (2025)
- Ansarallah (2025)
- Viv Ansanm (2025)
- Gran Grif (2025)
- Exército de Libertação do Baluchistão (2025)
- Los Choneros (2025)
- Los Lobos (2025)
- Harakat al-Nujaba (2025)
- Harakat Ansar Allah al-Awfiya (2025)
- Kata'ib Sayyid ul-Shuhada (2025)
- Brigadas Imam Ali (2025)
- Barrio 18 (2025)
- Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional (2025)
- Justiça Proletária Armada (2025)
- Autodefesa Revolucionária de Classe (2025)
- Antifa Leste (2025)
- Cartel de los Soles (2025)
- Clã do Golfo (2025)
- Irmandade Muçulmana do Líbano (2026)
- Irmandade Muçulmana do Sudão (2026)
O que muda com a decisão?
A classificação do PCC e CV como organizações terroristas permite aos Estados Unidos ampliar sanções financeiras, congelar ativos sob jurisdição norte-americana e restringir relações econômicas com pessoas ou empresas ligadas às facções criminosas. É o que explica William Pimentel, diretor jurídico da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra - SP.
Na prática, a medida cria uma nova barreira econômica internacional. Bancos, fintechs, corretoras, seguradoras, empresas de logística, operadoras de câmbio e companhias com exposição ao dólar — especialmente conectadas ao sistema Swift — tendem a intensificar mecanismos de controle e evitar qualquer vínculo com ativos, empresas, pessoas ou estruturas potencialmente relacionadas às organizações.
“Embora o impacto jurídico direto no Brasil seja limitado, os efeitos econômicos e regulatórios devem ser percebidos em setores considerados sensíveis, como combustíveis, logística, apostas, fintechs, criptoativos, comércio exterior, construção civil e meios de pagamento. A expectativa é de ampliação das exigências de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo”, diz Pimentel.
Por que o PCC não é considerado terrorista no Brasil?
A Lei Antiterrorismo brasileira (Lei nº 13.260) tipifica o terrorismo como a prática de atos violentos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, motivados por razões de xenofobia, religião, ideologia política ou preconceito, com pena de reclusão de 12 a 30 anos.
Isso significa que, para ser enquadrado como terrorismo, as ações não podem ser somente econômicas ou criminais, como é o caso de muitas facções brasileiras, mas precisam ter como objetivo provocar medo coletivo, pressionar autoridades ou desestabilizar instituições a partir de motivação política.















