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NYT: Trump levou à Fifa acusações contra árbitro brasileiro

Em conversa com o presidente da entidade, chefe de Estado afirmou que o árbitro brasileiro Raphael Claus estaria envolvido em manipulação de resultados

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Sofia Pilagallo
07/07/2026, 00:57 • Atualizado em 07/07/2026, 01:01
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O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca | REUTERS/Ken Cedeno

O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca | REUTERS/Ken Cedeno

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levou ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, acusações sem provas de que um árbitro brasileiro estaria envolvido em manipulação de resultados, informou o "The New York Times". Segundo o jornal, Trump fez as alegações na tentativa de pressionar a entidade a rever a suspensão de um atacante expulso durante uma partida da Copa do Mundo.

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A expulsão de Folarin Balogun ocorreu na quarta-feira (1º), durante a vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina. No domingo (5), a Fifa anunciou que o atacante estaria apto para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final da Copa do Mundo ao suspender a punição. A decisão é incomum e marca a primeira vez desde 1962 que um jogador expulso do torneio é autorizado a disputar a partida seguinte.

Os dirigentes da Federação de Futebol dos Estados Unidos (US Soccer) alegaram que o cartão vermelho foi aplicado de forma indevida porque Raphael Claus mudou sua decisão após revisar o lance com auxílio do árbitro de vídeo. Inicialmente, o brasileiro não marcou falta, mas, depois de ser chamado pela equipe do VAR para rever as imagens, expulsou Balogun.

Ainda segundo a reportagem, integrantes do governo Trump passaram a atuar logo após a expulsão do atacante. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, e Andrew Giuliani, diretor executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, teriam mobilizado advogados para auxiliar a US Soccer na tentativa de recorrer da suspensão, embora as regras da Fifa não prevejam esse tipo de recurso.

A Casa Branca confirmou que Trump conversou com Infantino sobre o caso e afirmou que o governo americano forneceu informações para uma revisão independente do lance. Após a decisão da Fifa, o presidente comemorou o desfecho nas redes sociais e agradeceu à entidade por, segundo ele, "fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça", sem mencionar que havia pedido pessoalmente a revisão da punição.

De acordo com o "The New York Times", um memorando elaborado por advogados ligados a Trump orientou a US Soccer sobre possíveis brechas jurídicas para contestar a punição. O documento sugeria que a federação invocasse os direitos dos EUA como país-sede e até ameaçasse recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte.

A reportagem também afirma que o episódio reforça questionamentos sobre a relação entre Infantino e Trump. Nos últimos anos, o dirigente da Fifa intensificou sua aproximação com o presidente e chegou a conceder a ele um prêmio da paz, gesto que motivou críticas e denúncias de suposta violação das regras de neutralidade política da entidade.

A Fifa confirmou que Balogun poderá atuar contra a Bélgica e informou que a suspensão foi convertida em um período probatório de um ano, com base no artigo 27 do Código Disciplinar da entidade. O comunicado, no entanto, não explicou por que o atacante deixou de cumprir a suspensão automática normalmente aplicada em casos de expulsão.

A federação belga reagiu com críticas e afirmou ter ficado surpresa com a decisão de tornar Balogun elegível para a partida. Em nota, a entidade disse que a Fifa contrariou seus próprios regulamentos e informou que avalia todas as medidas cabíveis diante da mudança de entendimento.

Segundo o "The New York Times", dirigentes do futebol internacional demonstraram preocupação com o precedente aberto pela decisão. A avaliação é que outras seleções poderão reivindicar tratamento semelhante em futuras expulsões, aumentando a pressão sobre a Fifa em casos disciplinares durante a competição.

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