Frio intenso aumenta risco à saúde de vulneráveis
Chegada de frente fria derruba temperaturas no Sul e Sudeste do país e exige cuidados redobrados com crianças, idosos e pessoas em situação de rua


Frio intenso afeta diretamente pessoas mais vulneráveis e acende alerta para risco à saúde | ReproduçãoSBT
A chegada de uma massa polar derrubou as temperaturas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil no fim de semana, especialmente nas cidades dos três estados sulistas. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alertas de declínio de temperaturas para estas regiões, além do leste de São Paulo e parte do Centro-Oeste.
A rápida queda de temperatura traz riscos imediatos à saúde, especialmente para as populações em maior situação de vulnerabilidade, como crianças, idosos e doentes crônicos. A situação é ainda mais perigosa para pessoas em situação de rua, ou que vivem em moradias improvisadas sem condições para enfrentar baixas temperaturas, acesso à roupas quentes e alimentação saudável.
"O frio pode agravar situações de saúde já existentes, como problemas cardiovasculares, problemas respiratórios. Ele pode causar hipotermia também e congelamento de partes e superfícies do corpo de pessoas que estão expostas ao frio [pessoas em situação de rua ou que não tem moradia adequada], elas são mais propensas. Mas algumas populações, mesmo não estando numa exposição contínua ao frio, também estão entre os mais vulneráveis e sob riscos, como as pessoas idosas, as crianças, e pessoas que têm alguma condição de saúde pré-existente", explica Aline von der Goltz Vianna, representante da Atenção Primária à Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS).
As doenças respiratórias costumam ser as mais lembradas no inverno, porém, Aline alerta que o clima frio interfere diretamente na circulação sanguínea e pode descompensar diagnósticos, como condições cardiovasculares pré-existentes. Além disso, quem está mais exposto ao frio intenso - trabalhadores em áreas externas, população de rua ou quem vive em moradias precárias - correm o risco de sofrer com a hipotermia.
"Outros sintomas importantes de observar são os que indicam a hipotermia, principalmente para as pessoas que estão mais expostas. Em adultos tremores, sensação de cansaço, exaustão, confusão mental, mãos hesitantes, perda de memória, fala arrastada e sonolência, são sinais de alerta para hipotermia. De uma forma geral, a pessoa fica muito mais inativa do que o normal”, alerta Aline.
A especialista chama atenção para os sintomas em crianças pequenas e bebês. “A pele fica vermelha, muito brilhante, fria e a energia fica muito baixa, isso em relação à hipotermia".
Outro ponto de atenção em relação àss crianças é a questão respiratória. Uma dica é observar que chama 'batimento das asas do nariz'.
"É quando a criança respira a parte externa do nariz abre e fecha. Isso denota um esforço respiratório muito grande. A coloração azulada da pele também, nos lábios, nas mucosas. E a tiragem intercostal, que é quando as costelinhas da criança abrem e fecham com muito esforço, tá? Isso são sinais de alerta que precisa procurar um atendimento de urgência”, orienta a especialista em saúde pública.
Quando procurar a emergência médica
Problemas respiratórios são sinais de que é preciso procurar ajuda médica urgente. É preciso ficar alerta a sintomas corriqueiros de vírus respiratórios, como febre, coriza, mal-estar, dor no corpo e espirros, a orientação é procurar uma unidade básica de saúde.
“Uma dificuldade respiratória persistente e expressiva, pressão ou dor no tórax, a coloração azulada nos lábios ou no rosto, isso tanto para adulto quanto para criança. A piora nas condições clínicas da doença de base que a pessoa tiver, hipotensão em relação à pressão arterial habitual do paciente em pessoas adultas", adverte Aline von der Goltz Vianna.
Alerta sobre o álcool e a importância da hidratação
É preciso ter cuidado com a falta de hidratação também durante o inverno, e principalmente com o uso de bebidas quentes para aquecer, e que contenham álcool.
"Sim, ajuda a aquecer o corpo, mas é importante tomar bebidas quentes que não contenham álcool. O álcool é o contrário, ele vai prejudicar, vai desidratar e vai prejudicar nossa regulação da temperatura corporal também. Mas outras comidas e bebidas quentes são sim indicadas, porque alimentam, porque hidratam e porque ajudam a aquecer”, alerta Aline.
Outra orientação importante para todas as pessoas no inverno é a hidratação, que acaba negligenciada nesta época do ano. "É preciso tomar bastante água. A gente pode imaginar que no verão é que a gente tem que tomar água, mas no inverno a gente tem que se hidratar muito também”, complementa.
Atenção à população de rua
O avanço das baixas temperaturas exige ações imediatas das prefeituras e secretarias municipais para proteger as pessoas que não têm onde se abrigar, lembra a especialista.
"Em termos de pessoas expostas, a gestão precisa tomar várias atitudes, que envolve um grande escopo de ações. A primeira é poder proporcionar acolhimento e abrigamento para as pessoas, um lugar seguro, um lugar que não seja exposto ao clima que tenha condições de higiene e de alimentação. Isso é o mínimo".
Aline lembra que é responsabilidade do poder público “disponibilizar um local adequado para que as pessoas possam estar, especialmente nessa época de frio intenso". A chefe de Atenção Primária da SES-RS lembra ainda que o atendimento médico a esse grupo deve ser garantido integralmente nas cidades.
"As pessoas na situação de rua têm direito a acesso à saúde em todos os serviços públicos e atendimento especializado em hospital, se for o caso da necessidade de um atendimento neste serviço. Outra obrigação do estado é disponibilizar vacinação para as doenças de recomendação vacinal a esta população", reforça.
Vacinação é o principal escudo contra casos graves
O cenário de internações monitorado pela Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul serve de alerta para a importância da prevenção nacional por meio das vacinas.
"Aqui no estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, a gente tem até essa semana mais de 7 mil pessoas internadas por síndrome respiratória aguda grave. 83% dessas pessoas internadas são idosas ou crianças. Dessas, 1.600 foram por influenza. Só alguns estavam vacinados. Isso nos mostra a importância de como a vacina protege contra casos graves."
Veja como identificar a hipotermia
É importante ficar atento aos sinais de alerta:
A hipotermia acontece quando a temperatura do corpo cai abaixo do nível normal e o organismo perde a capacidade de regulação térmica. Os sintomas variam de acordo com a idade:
Em Adultos:
- Tremores intensos e mãos hesitantes;
- Sensação de exaustão e muito cansaço;
- Confusão mental, perda de memória e fala arrastada;
- Sonolência e inatividade fora do comum.
Em Bebês e Crianças Novas:
- Pele muito vermelha, brilhante e fria ao toque;
- Energia extremamente baixa (apatia).
Sinais importantes para buscar atendimento médico imediato:
- Dificuldade respiratória persistente e expressiva;
- Pressão ou dor forte no tórax
- Coloração azulada nos lábios, rosto ou mucosas;
- Queda abrupta da pressão arterial (hipotensão).
Sinais específicos em crianças pequenas:
- Batimento das asas do nariz: Quando as laterais do nariz abrem e fecham com força durante a respiração, denotando esforço;
- Tiragem intercostal: Quando a pele entre as costelas afunda intensamente a cada respiração.














