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NYT destaca temor de interferência de Trump na eleição

Reportagem, que ocupou uma página inteira da edição impressa, apresenta o Brasil como principal teste regional da atuação política de Trump na América Latina

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Sofia Pilagallo
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e senador Flávio Bolsonaro | Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil; e Fernando Frazão/Agência Brasil

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e senador Flávio Bolsonaro | Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil; e Fernando Frazão/Agência Brasil

O jornal americano "The New York Times" destacou, em uma página inteira da edição impressa desta quinta-feira (1º), a possibilidade de Donald Trump tentar influenciar a eleição brasileira. O texto, publicado online na segunda-feira (28), apresenta o Brasil como o "maior teste regional" para a influência política do presidente americano na América Latina.

Segundo o Times, candidatos de direita alinhados a Washington venceram as últimas sete eleições realizadas na região, e Trump declarou apoio explícito ao vencedor em duas delas. Na Colômbia, apoiou Abelardo de la Espriella, que derrotou por menos de um ponto percentual o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do então presidente Gustavo Petro.

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Em Honduras, Trump apoiou Nasry Asfura, do conservador Partido Nacional, que venceu por margem apertada Salvador Nasralla, do Partido Liberal, na eleição presidencial de 2025. Asfura terminou com 40,3% dos votos, contra 39,5% de Nasralla, após uma apuração marcada por atrasos, problemas técnicos e contestações.

O Times ressalta que Trump não declarou publicamente apoio a nenhum candidato brasileiro. Apesar disso, afirma que o governo americano vem favorecendo de forma indireta a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa a Presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"O líder americano não declarou abertamente apoio a nenhum candidato brasileiro. Mas o governo Trump, de forma mais sutil, impulsionou o candidato de direita Flávio Bolsonaro, que concorre contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de esquerda", escrevem os jornalistas Ana Ionova e Adam B. Ellick
"Tendo observado o Sr. Trump interferir em outras eleições e vivenciado sua tentativa fracassada de ajudar o pai do Sr. Bolsonaro a evitar a prisão por conspiração para um golpe de Estado, o Brasil está erguendo uma barreira para tentar proteger sua votação crucial de uma possível interferência dos EUA", acrescentam.

O Times também menciona a preocupação com campanhas nas redes sociais que possam beneficiar Flávio. O jornal cita uma série recente de publicações pagas, compartilhadas por contas de direita nos Estados Unidos, que amplificaram projeções do mercado de previsões Polymarket favoráveis ao candidato, embora pesquisas eleitorais apontassem uma disputa sem favorito claro.

A reportagem relembra ainda medidas tomadas pelo governo Trump no último ano em meio à deterioração das relações entre Washington e Brasília. Além disso, menciona sanções e ameaças tarifárias adotadas durante o processo contra Jair Bolsonaro e a tentativa dos EUA de enviar uma delegação ao Brasil para avaliar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

Medidas adotadas pelas autoridades brasileiras

Segundo o Times, entre as medidas adotadas pelas autoridades brasileiras para proteger o processo eleitoral de uma eventual interferência externa estão o monitoramento de ações de lobby e campanhas de desinformação originadas no exterior. O país também atua para combater alegações falsas sobre fraude eleitoral e busca apoio de governos estrangeiros.

Representações diplomáticas da União Europeia, Canadá, Japão, Austrália e outros países vêm mantendo conversas informais sobre uma eventual resposta conjunta após a eleição. Três diplomatas ouvidos pelo jornal afirmaram que a intenção seria defender rapidamente a integridade do resultado, independentemente de quem vença, caso o processo eleitoral seja contestado.

Outro ponto destacado é a preparação da Justiça Eleitoral. De acordo com a reportagem, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçou ações contra a desinformação, ampliou mecanismos de auditoria das urnas e pediu a empresas como Google e Meta que apresentassem planos para combater conteúdos eleitorais enganosos produzidos com inteligência artificial.

A reportagem afirma ter ouvido mais de uma dezena de integrantes do governo brasileiro e da Justiça Eleitoral, além de policiais, agentes de inteligência e diplomatas estrangeiros. Parte deles falou sob condição de anonimato por não ter autorização para comentar publicamente o assunto.

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