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Creutzfeldt-Jakob: entenda a doença que matou Lito Sousa

Influenciador de aviação morreu nesta quinta-feira (1º); especialista explica evolução da doença

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Emanuelle Menezes
Lito Sousa foi diagnosticado com Creutzfeldt-Jakob | Reprodução

Lito Sousa foi diagnosticado com Creutzfeldt-Jakob | Reprodução

O influenciador digital e especialista em aviação Lito Sousa morreu aos 59 anos, após ter sido diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). A morte foi confirmada pela família nesta quinta-feira (1º) nas redes sociais.

A DCJ é uma doença rara, neurodegenerativa, progressiva e sem cura. Ao contrário de outras demências, que podem evoluir durante anos, a doença de Creutzfeldt-Jakob costuma provocar uma deterioração neurológica rápida, com piora significativa em semanas ou meses.

Lito havia recebido o diagnóstico depois de apresentar uma rápida piora motora. Quando a família tornou a doença pública, a esposa dele, Mila Seidl, relatou que o influenciador já havia perdido parte dos movimentos, embora permanecesse lúcido.

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O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob?

Segundo o Ministério da Saúde, a doença de Creutzfeldt-Jakob é causada por príons, proteínas infecciosas capazes de provocar alterações no cérebro. A enfermidade é classificada como uma encefalopatia espongiforme transmissível e provoca degeneração progressiva do sistema nervoso.

A forma mais comum é a esporádica, responsável por aproximadamente 85% dos casos confirmados e sem causa ou fonte infecciosa conhecida. Há ainda formas hereditária e iatrogênica, esta última relacionada a situações médicas específicas.

Os sintomas podem variar e incluem perda de memória, tremores, dificuldade de coordenação motora, alterações da fala e da visão, espasmos musculares e mudanças de comportamento.

Segundo Danilo Donizete de Faria, diretor do serviço de Neurologia do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), uma das características da doença é justamente a velocidade de progressão.

"Diferentemente de Alzheimer e outras demências, que geralmente evoluem durante anos, a DCJ costuma apresentar piora importante em semanas ou meses."

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da DCJ é considerado desafiador. Exames como ressonância magnética, eletroencefalograma, tomografia e análise do líquido cefalorraquidiano podem auxiliar na investigação. A confirmação definitiva depende da análise de tecido cerebral por biópsia ou necropsia.

Faria ressalta que outras condições precisam ser descartadas durante a investigação.

"É importante reforçar que antes de estabelecer o diagnóstico de DCJ, é fundamental uma investigação neurológica cuidadosa, porque algumas doenças potencialmente tratáveis podem produzir um quadro semelhante de deterioração neurológica rápida."

No caso de Lito, a esposa relatou anteriormente que a manifestação da doença não correspondia à apresentação mais comum e que os primeiros sintomas ocorreram de maneira diferente do padrão esperado.

Doença de Creutzfeldt-Jakob tem tratamento?

Até o momento, não existe tratamento comprovado capaz de interromper ou retardar a progressão da DCJ, segundo Faria. Os cuidados são de suporte e buscam controlar os sintomas e proporcionar conforto ao paciente.

O acompanhamento pode envolver o manejo de espasmos musculares, alterações comportamentais, dor, problemas de sono e dificuldades relacionadas à alimentação e à deglutição.

"Existem pesquisas buscando terapias direcionadas aos príons, mas ainda não temos uma terapia modificadora da doença disponível na prática clínica", explicou o neurologista.

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