Economia

Petrobras reajusta combustível de aviação em 11,8%

Alta ocorre após avanço de 13,9% em setembro; companhias aéreas brasileiras dizem que combustível já representa 45% dos custos operacionais

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Isaque Teles, Caio Barcellos
Fachada da Petrobras | Divulgação/Fernando Frazão/Agência Brasil

Fachada da Petrobras | Divulgação/Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras reajustou em 11,76%, em média, o preço do combustível de aviação vendido às distribuidoras. O novo valor passou a valer nesta quinta-feira (1º) e representa um aumento de cerca de R$ 0,66 por litro em relação a setembro.

O preço médio nas refinarias passou de R$ 5,585 por litro em setembro para R$ 6,242 em outubro. Os valores são reajustados no primeiro dia de cada mês, conforme previsto nos contratos da Petrobras com as distribuidoras. Em setembro, o combustível já havia ficado 13,9% mais caro.

Guerra no Oriente Médio

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De acordo com a Petrobras, a alta nos valores está ligada "ao recrudescimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio", que ocorreu nos últimos meses entre as tropas dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Um dos principais focos de preocupação é o Estreito de Ormuz, passagem marítima localizada ao sul do Irã e estratégica para o transporte internacional de petróleo e gás. A instabilidade na região elevou os riscos para a navegação e pressionou as cotações internacionais de energia.

🔍 O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima entre o Irã e a Península Arábica que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Pela rota passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo e aproximadamente 25% de todo o petróleo transportado por via marítima.

O preço médio atual de R$ 6,242 representa um aumento se comparado ao primeiro dia dos ataques dos EUA ao Irã, em 1º de março (R$ 3,592), um aumento que representa 74% a mais entre o início de 2026 e o final desse mesmo ano.

Peso para as companhias aéreas

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa Latam, Gol e Azul, calcula uma alta de 90% no preço do QAV desde fevereiro, de R$ 3,31 para R$ 6,28 por litro, considerando o reajuste de 11,6% apontado pela entidade para outubro.

“Com o aumento mais recente, a participação do QAV nos custos das companhias aéreas subiu para 45% do total das despesas operacionais. Antes da escalada do preço, esse percentual era de 30%”, afirmou a Abear.

A associação afirma ainda que as empresas aéreas já acumulam em 2026 um gasto com combustível R$ 7,6 bilhões acima do que era projetado antes do conflito e alerta para os efeitos dos sucessivos aumentos sobre a conectividade aérea e o acesso da população ao transporte por avião.

Peso nas passagens

No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, as passagens aéreas recuaram 13,17% no mês, após alta de 11,67% em julho. No acumulado de janeiro a agosto, o item registrava queda de 1,28%, enquanto em 12 meses ainda acumulava alta de 26,29%.

A maior alta mensal das passagens aéreas em 2026 ocorreu em julho, quando os preços avançaram 11,67%. O movimento coincidiu com uma nova escalada do conflito, após o colapso das negociações de um cessar-fogo entre Washington e Teerã.

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