Na ONU, EUA e Israel falam em impedir bomba nuclear; Irã acusa crime de guerra
Sessão extraordinária foi convocada depois de ataques coordenados que mataram civis e o líder supremo do Irã, segundo Trump


Victor Schneider
A sessão extraordinária do Conselho de Segurança da ONU neste sábado (28) pôs frente a frente a versão dos Estados Unidos e de Israel contra a do Irã quanto aos ataques coordenados que deixaram centenas de mortos e feridos pela manhã na capital Teerã e em outras cidades. A sessão foi convocada por iniciativa conjunta de China e Rússia, aliados do regime iraniano.
Um desses mortos, segundo o presidente Donald Trump, foi o líder supremo Ali Khamenei. O Irã nega.
Os representantes dos EUA, Mike Waltz, e de Israel, Danny Danon, ecoaram a mesma alegação: a de que a falta de cooperação da parte de Teerã em negociar termos transparentes para o seu programa nuclear tornaram a ofensiva inevitável.
O embaixador de Israel na ONU frisou sucessivamente que o desarmamento iraniano é um ponto inegociável na doutrina de defesa israelense. Nesse sentido, a possibilidade de o vizinho entrar para o clube nuclear é tida como uma “ameaça existencial” e embasa o direito de ataque preemptivo.
“A história nos ensinou a nunca ignorar aqueles que abertamente pedem pela nossa destruição. Quando um regime diz que vai destruir Israel, quando canta “morte a Israel", quando promete remover Haifa e Tel Aviv do mapa, nós acreditamos, genuinamente acreditamos. Quando vemos as centenas de mísseis balísticos que eles lançam sobre Israel, nós cremos nas ameaças", afirmou.

Indicado pelo presidente Donald Trump, Waltz disse que o republicano esteve “à altura do desafio” para autorizar a operação contra o Irã. O representante justificou os ataques como objetivos “estratégicos e específicos” de desmantelar capacidades balísticas e navais iranianas e “deixar claro ao regime iraniano que nunca devem ameaçar o mundo com uma arma nuclear".
Na sexta-feira (27), o chanceler iraniano Abbas Araghchi havia dito ter chegado a um entendimento com os EUA sobre o programa nuclear. A expectativa era de que equipes especializadas se reunissem nos próximos dias em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), para avançar nas tratativas – que agora devem emperrar indefinidamente.

Irã fala em crime de guerra
O embaixador Amir-Saeid Iravani refutou os argumentos dos pares e considerou os ataques “totalmente desprovidos de fundamento legal” e uma afronta à Carta da ONU. “Isso não é nada mais do que uma tentativa deliberada de enganar a comunidade internacional e a opinião pública americana”, afirmou.
Ao mencionar um ataque a uma escola primária feminina em Minab, no sul do Irã, que deixou mais de 100 crianças mortas, Iravani disse que a ofensiva “não é apenas um ato de agressão", mas um crime de guerra e um crime contra a humanidade”.
O embaixador iraniano reforçou que o país seguirá de prontidão e entende que todas as bases, instalações e bens da "força hostil" serão considerados alvos militares legítimos. “Enquanto essa agressão continuar, o Irã continuar a exercer seu direito inerente à autodefesa de maneira firme, proporcional e sem hesitação", afirmou.

Ataques
Os ataques coordenados pelos EUA e Israel contra o Irã deixaram 201 mortos e 747 feridos, informou a imprensa iraniana com base em dados da rede humanitária Crescente Vermelho. Dentre os mortos estão crianças de uma escola voltada para meninas no sul do país. Alvos foram atingidos em ao menos 24 províncias, incluindo a capital Teerã.
O regime dos aiatolás retaliou atacando bases americanas espalhadas pelo Oriente Médio, incluindo Bahrein, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos. O governo americano diz ter interceptado a maior parte dos mísseis e não ter sofrido baixas e nem danos consideráveis às instalações.
Pela noite, um novo ataque furou o domo de defesa antiaérea em Tel Aviv e atingiu um prédio residencial, matando uma mulher e deixando outros 21 feridos.









