Juiz dos EUA rejeita processo de Trump contra Wall Street por reportagem sobre Epstein
Magistrado afirma que Trump não comprovou “dolo específico” contra o Wall Street Journal em reportagem sobre Jeffrey Epstein


Reuters
Um juiz federal dos Estados Unidos rejeitou, nesta segunda-feira (13), a ação por difamação movida por Donald Trump contra o jornal Wall Street Journal.
O processo foi motivado por um artigo publicado em julho de 2025 que afirmava que o nome de Trump constava em uma mensagem de aniversário de 2003 relacionada a Jeffrey Epstein.
Na ação, Trump classificou o conteúdo como falso e pediu uma indenização de US$ 10 bilhões por danos à reputação.
Segundo o juiz Darrin Gayles, da Corte Distrital de Miami, Trump não cumpriu um requisito essencial em casos de difamação envolvendo figuras públicas.
Nos Estados Unidos, é necessário provar não apenas que a informação publicada é falsa, mas também que o responsável sabia disso ou agiu com desprezo pela verdade. Segundo o magistrado, a ação apresentada “não chega nem perto desse padrão”.
O juiz autorizou que Trump apresente uma nova versão da ação até o dia 27 de abril, caso consiga incluir elementos que atendam aos critérios legais exigidos.
Relembre o caso
O presidente dos EUA, Donald Trump, processou o Wall Street Journal e seus proprietários, incluindo Rupert Murdoch, no dia 20 de julho de 2025, pedindo pelo menos US$10 bilhões em danos pela reportagem do jornal de que Trump enviou a Jeffrey Epstein, em 2003, uma mensagem de aniversário que incluía um desenho sexualmente sugestivo e uma referência aos segredos que eles compartilhavam.
Trump entrou com a ação no tribunal federal do Distrito Sul da Flórida contra a Dow Jones e a News Corp., Rupert Murdoch e dois repórteres do Wall Street Journal, acusando os réus de difamação. Trump alegou ainda que eles agiram com intenção maliciosa, o que lhe causou danos financeiros e de reputação.
O presidente negou veementemente a reportagem do Journal, que a Reuters não verificou, e alertou Murdoch, fundador da News Corp, de que planejava processá-lo. A Dow Jones, controladora do jornal, é uma divisão da News Corp.
Carta insana
O Journal afirmou que a carta com o nome de Trump fazia parte de um livro de aniversário encadernado em couro para Epstein, que incluía mensagens de outras pessoas importantes. O jornal afirmou que a carta contém várias linhas de texto datilografado emolduradas pelo contorno de uma mulher nua, que parecia ter sido desenhado à mão com um marcador grosso. O jornal afirmou que a carta conclui com "Feliz Aniversário – e que cada dia seja mais um segredo maravilhoso", e traz a assinatura "Donald".
As alegações de que Epstein teria abusado sexualmente de meninas tornaram-se públicas em 2006 – após a suposta produção do livro de aniversário – e ele foi preso naquele ano antes de aceitar um acordo judicial. Epstein morreu pouco mais de um mês depois de ser preso pela segunda vez, acusado de conspiração para tráfico sexual.
Trump, que foi fotografado com Epstein diversas vezes em situações sociais nas décadas de 1990 e início de 2000, disse a repórteres em 2019 que terminou seu relacionamento com Epstein antes que seus problemas legais se tornassem aparentes.
Em 2002, Trump, vizinho de Epstein na Flórida, foi citado na revista New York dizendo: "Conheço Jeff há 15 anos. Um cara incrível. É muito divertido estar com ele. Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são mais jovens."
Falando a repórteres no Salão Oval em 2019, Trump disse que ele e Epstein tiveram um "desentendimento" antes do financista ser preso pela primeira vez.
Trump disse que "o conhecia como todo mundo em Palm Beach o conhecia", mas que "tive um desentendimento com ele. Não falo com ele há 15 anos. Não era fã dele, isso eu garanto".









