"Está na hora do país seguir em frente", diz Trump sobre caso Epstein
Presidente minimizou menção de aliados na investigação sobre rede de tráfico sexual comandada pelo empresário


Camila Stucaluc
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que a população deve deixar para trás os arquivos do caso Jeffrey Epstein — empresário acusado de tráfico sexual de menores. Em declaração na terça-feira (3), o republicano afirmou que “está na hora” do país se concentrar em outros assuntos.
“Acho que já está na hora de o país se concentrar em outra coisa”, disse Trump, no Salão Oval. “Agora que nada veio à tona sobre mim, além da conspiração, literalmente orquestrada por Epstein e outras pessoas, acho que é hora de o país talvez se concentrar em outra coisa”, acrescentou o presidente.
A declaração ocorreu poucos dias após o Departamento de Justiça norte-americano divulgar mais de 3 milhões de páginas do caso Epstein. Nos documentos, o nome de Trump é citado centenas de vezes, por ter tido uma relação próxima com o empresário entre os anos 1990 e 2000 — o que é negado pelo presidente.
As páginas ainda mencionam o empresário e ex-conselheiro sênior da Casa Branca Elon Musk, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick. Ao ser questionado sobre os aliados, Trump minimizou os relatos. "Tenho certeza de que eles estão bem. Caso contrário, teria sido manchete em todos os jornais”, disse.
Quem foi Jeffrey Epstein?
Ele foi preso pela primeira vez em 2008, quando admitiu ter solicitado a prostituição de uma menor de idade. Em julho de 2019, o bilionário foi preso novamente sob acusações de abuso e tráfico sexual de menores, com mais de 250 possíveis vítimas. Um mês depois, em agosto, ele foi encontrado morto dentro de sua cela com indícios de suicídio.
O caso voltou a repercutir em 2024, quando uma juíza de Nova York retirou o sigilo de centenas de páginas de um processo contra Ghislaine Maxwell, ex-namorada e cúmplice de Epstein. Entre os documentos, estava o depoimento de Johanna Sjoberg, uma das vítimas que denunciou a rede de tráfico sexual.
Às autoridades, ela relatou interações com o ex-presidente Bill Clinton e o príncipe Andrew, do Reino Unido — que negam envolvimento nos crimes. Johanna também mencionou ter visitado, ao lado de Epstein, um cassino de Trump em Atlantic City, mas destacou que não houve contato físico.
Em 2025, os arquivos viraram um centro de disputa política. Em novembro, o Partido Democrata divulgou uma série de e-mails enviados por Epstein que apontavam que Trump tinha conhecimento da rede de tráfico sexual. Em uma das mensagens, o empresário afirma que o atual presidente “passou horas com uma das vítimas” e que “sabia sobre as garotas”.
Trump voltou a negar envolvimento com Epstein e, em resposta aos e-mails, pediu a abertura de uma investigação ao Departamento de Justiça para apurar a relação dos democratas Bill Clinton e Larry Summers com Epstein. O republicano ainda citou o nome de Reid Hoffman, fundador do LinkedIn, um importante doador democrata.
Desta vez, mais de 3,5 milhões de arquivos ligados ao caso Epstein, reunindo denúncias, imagens, vídeos e trocas de e-mails relacionados à investigação, foram divulgados. As páginas foram tornadas públicas em cumprimento à Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, aprovada no final de 2025.
Ao comentar sobre a divulgação, o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que a Casa Branca não interferiu na revisão dos arquivos e que a nova liberação marca o fim de um longo processo de revisão sobre o caso. “A divulgação marca o fim de um processo muito abrangente de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e conformidade com a lei”, disse.









