Jornalista norte-americana sequestrada no Iraque é libertada
Shelly Kittleson foi capturada por uma milícia aliada ao Irã e mantida em cativeiro por uma semana


Camila Stucaluc
A jornalista norte-americana Shelly Kittleson, sequestrada na Turquia pela milícia Kataib Hezbollah na última semana, foi libertada na noite de terça-feira (7). A informação foi divulgada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que celebrou a soltura da profissional.
“Estamos aliviados que essa americana agora esteja livre e estamos trabalhando para apoiar sua saída segura do Iraque”, escreveu Rubio. “A detenção injustificada ou sequestro de cidadãos americanos não será tolerada. Continuaremos usando todas as ferramentas para trazer os americanos de volta e responsabilizar os responsáveis”, acrescentou.
Kittleson é jornalista freelancer baseada em Roma, na Itália, e já cobriu diversos conflitos no Oriente Médio. A profissional foi sequestrada no dia 31 de março, em Bagdá, por militantes do Kataib Hezbollah. Aliado do Irã, o grupo atua na linha de frente de retaliação pela operação coordenada entre Estados Unidos e Israel contra Teerã.
Segundo Rubio, a libertação de Kittleson envolveu negociações entre o Departamento de Guerra, o Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês) e o Conselho Supremo Judicial do Iraque. Em troca da jornalista, o Kataib Hezbollah pediu a libertação, pelo governo iraquiano, de vários milicianos detidos no país.
Em comunicado, a milícia afirmou que a libertação de Kittleson ocorreu “em apreço às posições patrióticas do primeiro-ministro do Iraque”, dizendo que a jornalista deveria deixar o país imediatamente. O grupo acrescentou que “essa iniciativa não será repetida no futuro”, citando a guerra no Oriente Médio.
“Estamos em um estado de guerra travada pelo inimigo sionista-americano contra o Islã e, em situações assim, muitas considerações são desconsideradas”, disse.
Essa não é a primeira vez que uma cidadã estrangeira é sequestrada pelo Kataib Hezbollah. Em 2023, o grupo raptou a estudante israelense-russa Elizabeth Tsurkov, da Universidade de Princeton, que realizava pesquisas de doutorado sobre milícias xiitas. A acadêmica foi mantida em cativeiro por mais de anos no Iraque, onde foi torturada. Ela foi libertada apenas em setembro de 2025, após negociações entre Estados Unidos, Israel e Iraque.









