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Israel ratifica cessar-fogo com o Hamas; reféns devem ser liberados em até 72 horas

Gabinete aprovou acordo mediado pelos EUA que prevê cessar-fogo de 24 horas, troca de prisioneiros e ampliação do fluxo de ajuda humanitária a Gaza

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SBT News, com informações da Reuters
10/10/2025, 00:18 • Atualizado em 10/10/2025, 00:42
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Fumaça sobe no céu da cidade de Gaza após ataque israelense | 6/10/2025/Reuters/Dawoud Abu Alkas

Fumaça sobe no céu da cidade de Gaza após ataque israelense | 6/10/2025/Reuters/Dawoud Abu Alkas

O governo de Israel ratificou, nesta quinta-feira (9), o acordo de cessar-fogo com o Hamas que deve entrar em vigor em 24 horas e permitir a libertação dos reféns mantidos em Gaza em até 72 horas após o início da trégua. A medida, negociada com mediação dos Estados Unidos, é apontada por autoridades como o maior avanço para pôr fim a dois anos de conflito, mas enfrenta resistências internas e incertezas sobre sua implementação completa.

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O gabinete israelense aprovou a estrutura do acordo nas primeiras horas desta sexta (horário local), cerca de um dia depois do anúncio feito por mediadores sobre a troca inicial de reféns por prisioneiros palestinos, a primeira fase do plano do presidente dos EUA, Donald Trump, para encerrar a guerra em Gaza.

Pelo texto do acordo, os combates cessarão, Israel fará uma retirada parcial de suas forças, e o Hamas libertará os reféns restantes em troca da soltura de centenas de prisioneiros mantidos por Israel. O presidente Trump afirmou que espera a libertação dos reféns no início da próxima semana.

O negociador do Hamas em Gaza, Khalil al-Hayya, disse que o grupo recebeu garantias dos Estados Unidos, de mediadores árabes e da Turquia de que a guerra terminou de forma definitiva. Segundo ele, a fase inicial prevê a libertação de cerca de 250 prisioneiros — incluindo pessoas com sentenças longas — a reabertura da passagem de Rafah em ambos os sentidos, a entrada de ajuda humanitária e a libertação de todas as mulheres e crianças detidas.

O acordo também prevê a entrada de comboios de caminhões com alimentos e suprimentos médicos para socorrer civis que, em grande número, vivem em abrigos improvisados após meses de ofensivas que destruíram bairros inteiros. Caso plenamente cumprido, o pacto aproximaria os dois lados mais do que qualquer tentativa anterior de interromper o conflito, que se internacionalizou ao atrair atores como Irã, Iêmen e Líbano.

Contudo, muitas questões permanecem em aberto. Fontes palestinas afirmaram que a lista de prisioneiros a ser liberada ainda não foi fechada; o Hamas insiste na libertação de nomes de alta projeção política, e outras centenas de detidos aguardam definição. Além disso, não houve consenso sobre as etapas posteriores do plano de 20 pontos proposto pela administração americana — em especial, a governança da Faixa de Gaza e o futuro do Hamas, que resiste a exigências de desarmamento.

O anúncio também provocou tensões internas em Israel. Líderes da ala de extrema-direita na coalizão de governo, como o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir, declararam oposição ao acordo e chegaram a condicionar a continuidade do governo ao desmantelamento do Hamas. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, afirmou que o movimento deveria ser destruído após a devolução dos reféns.

Autoridades israelenses estimam que, atualmente, cerca de 20 reféns ainda estariam vivos em Gaza; outros 26 teriam sido mortos e o destino de dois permanece desconhecido. O Hamas advertiu que a recuperação de corpos pode levar mais tempo do que a libertação dos prisioneiros vivos.

O presidente Trump pretende viajar à região no domingo, possivelmente para participar de uma cerimônia de assinatura no Egito; o presidente do Knesset, Amir Ohana, chegou a convidá-lo para discursar no Parlamento, algo sem precedentes desde 2008. O acordo recebeu apoio de vários países árabes e ocidentais e foi saudado como um importante feito diplomático para a administração americana. O Brasil também saudou o anúncio e reiterou sua defesa da solução de dois Estados.

Representantes do time de mediação estadunidense, incluindo Steve Witkoff e Jared Kushner, participaram das negociações e acompanharam a reunião do gabinete em Jerusalém que ratificou o pacto. Enquanto isso, países ocidentais e árabes se reúnem em Paris para discutir a possibilidade de uma força internacional de paz e os planos de reconstrução de Gaza pós-conflito.

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