Política

Damares Alves aponta fragilidade na candidatura de Flávio Bolsonaro e pede vice mulher

Senadora conta que Bolsonaro perdeu votos femininos em 2022 porque grupo conservador confundia combate ao “feminicídio” com “feminismo"

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Basília Rodrigues , Iander Porcella, Murilo Fagundes
12/01/2026, 03:11 • Atualizado em 12/01/2026, 10:17
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Senadora Damares Alves (Republicanos-DF) | Agência Senado

Senadora Damares Alves (Republicanos-DF) | Agência Senado

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) falou ao SBT News do desafio para candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República em conquistar votos femininos. Em entrevista ao programa Sala de Imprensa, a senadora relatou, com exclusividade, situações em que a pauta para mulheres foi minimizada por integrantes e aliados do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que, para ela, não pode se repetir na campanha de Flávio.

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“Qual voto que a Direita vai ter que tomar cuidado? O voto feminino. Acho que perdemos muito em não dizer o que nós fizemos pela pauta feminina no governo anterior. Nós fizemos muito. Mas há uma confusão entre os conservadores sobre o que é uma pauta feminina e o que é feminismo”, disse se referindo a disputas ideológicas. “Vai ter que aprender a falar com nós”, pregou sobre a candidatura de Flávio e a comunicação com as mulheres.

Damares pediu para Flávio escolher uma mulher como vice na chapa, o que, segundo ela, não foi respondido até agora. Em 2022, Jair Bolsonaro cogitou uma mulher de vice, mas acabou por anunciar o nome do ex-ministro Braga Netto, que atualmente está preso pela tentativa de golpe no país. “Nós tínhamos um capitão e um general. Amo o general Braga Netto. Mas, vou dizer para vocês, o voto feminino tem que ser conquistado com leveza e ternura. Eu acho que agora em 2026, ô Flávio, ô amigo Flávio, pensa no nome de uma mulher para ser sua vice. Vai mudar muito na proposta quem tiver uma vice presidente ou uma candidata feminina. Flávio, fica a dica, tá amigo. Fica a dica”, enalteceu em tom de cobrança.

A senadora Tereza Cristina, que era uma das principais cotadas na época, mantém o favoritismo de quem defende uma candidatura feminina.

Quando ministra, Damares comandou a pasta que levava o nome de Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. A tarefa, porém, enfrentava dificuldades dentro do próprio governo, relevou a senadora.

“Vou cortar na carne agora. É bem ruim o que vou falar agora, mas são coisas que não podemos esconder. Nós trabalhamos dois anos para construir o decreto do Plano Nacional para Enfrentamento do Feminicídio. E o nosso plano é maravilhoso. Mas na hora de Bolsonaro assinar o decreto, em que nós deveríamos encher o Planalto de delegadas, juízas, desembargadoras, ativistas, o Bolsonaro foi orientado por alguns conservadores de assinar de madrugada porque (para eles) a palavra ‘feminicídio’ era uma palavra feminista. Essas pautas tão interessantes e necessárias para mulher, o governo conservador era tímido em mostrar e a gente perdeu o voto feminino. O voto feminino vai ter que ser conquistado com muito carinho”.

Segundo Damares, ela pediu para Flavio Bolsonaro deixá-la cuidar da comunicação da campanha com grupos vulneráveis, a exemplo de mulheres e indígenas. Damares disse ter pedido para o filho de Bolsonaro que, caso eleito, escolha o nome dela para presidente da Funai. “Posso contar outro segredo? Não deixei de ser ministra para ser candidata. Queria andar pelo país com Michelle, explicando para as mulheres principalmente no Norte e Nordeste tudo o que o governo Bolsonaro tinha feito para as mulheres, só que não deixaram participar da campanha. Deixaram só entre o primeiro e segundo turno, quando criamos aquele movimento ‘Mulheres com Bolsonaro’. Tenho conversado com Flavio, ele terá que ter muito cuidado ao falar de seu plano de governo para esses segmentos”, explicou.

A política para mulheres na atual gestão também foi objeto de críticas na entrevista. Para a ex-ministra, o governo Lula investe pouco no combate ao feminicídio e se apropria da pauta de marchas pelas mulheres que deveriam ser vinculadas apenas aos movimentos sociais.

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