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EUA e Irã se encontram nesta quinta (26) para nova rodada de negociações sobre programa nuclear

Diálogo acontece em meio a ameaças de invasão militar por parte do presidente norte-americano

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Camila Stucaluc
26/02/2026, 06:41 • Atualizado em 26/02/2026, 06:41
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Nova rodada de negociações entre EUA e Irã acontece em Genebra | Reprodução

Nova rodada de negociações entre EUA e Irã acontece em Genebra | Reprodução

Representantes dos Estados Unidos e do Irã se reúnem nesta quinta-feira (26), em Genebra, na Suíça, para debater o programa nuclear iraniano. Este é o terceiro encontro diplomático entre os países, que tentam chegar a um acordo sobre o enriquecimento de urânio em Teerã.

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A última reunião entre os países ocorreu em 17 de fevereiro, também em Genebra, onde as delegações confirmaram um “certo avanço” nas negociações. Para o encontro de hoje, o governo iraniano disse ter “boas perspectivas” para um acordo, desde que a diplomacia seja priorizada.

“Temos uma oportunidade histórica de alcançar um acordo sem precedentes que aborde preocupações mútuas e alcance interesses mútuos. Um acordo está ao alcance, mas somente se a diplomacia tiver prioridade”, disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, que participa das negociações.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa dos Estados Unidos há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para desenvolver bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandado, Trump tenta pressionar o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Ameaça de invasão

As negociações ocorrem em meio às ameaças de Trump, que disse cogitar uma operação militar no Irã caso os países não cheguem a um novo acordo nuclear. Uma frota militar liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln foi enviada à costa iraniana, elevando a tensão entre as nações.

Segundo o Centro para Estudos Internacionais Estratégicos, a dimensão da atual frota norte-americana é a mesma da Operação Raposa do Deserto, uma campanha de bombardeios de quatro dias contra o Iraque, em 1998, ordenada após o regime de Saddam Hussein se recusar a cooperar com os inspetores nucleares da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na última terça-feira (24), Trump acenou pela diplomacia, mas em tom ameaçador. Durante o discurso do Estado da União, o republicano voltou a acusar o Irã de perseguir ambições nucleares, dizendo que jamais permitirá que o país avance no tema.

“Eles já desenvolveram mísseis capazes de ameaçar a Europa e nossas bases no exterior e trabalham para construir mísseis que em breve poderão alcançar os Estados Unidos. Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”, disse.

A fala foi criticada pelo Irã, que acusou o presidente norte-americano de realizar uma “campanha sinistra de desinformação” contra o país, com inspiração nazista. Apesar de defender a diplomacia, o regime iraniano já afirmou que está preparado para responder “proporcionalmente” se for alvo de uma agressão militar pelos Estados Unidos.

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