Israel prende soldado que colocou cigarro na boca de estátua de Maria no Líbano
Militar foi condenado à 21 dias de prisão; colega que fotografou ação também foi detido


Camila Stucaluc
O Exército de Israel prendeu dois soldados que profanaram uma estátua da Virgem Maria em Debl, no sul do Líbano. Um deles colocou um cigarro na boca da imagem, enquanto o outro fotografou o ato.
Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) informaram que o caso ocorreu “há algumas semanas”, mas repercutiu no início deste mês. O militar que aparece na foto foi condenado a 21 de prisão, enquanto o responsável pelo registro recebeu sentença de 14 dias.
“As IDF encaram o incidente com grande severidade e respeitam a liberdade religiosa e de culto, bem como os locais sagrados e símbolos religiosos de todas as religiões e comunidades. Os procedimentos relativos à conduta em relação às instituições religiosas e símbolos religiosos são sistematicamente aprimorados para as forças antes de sua entrada nas áreas relevantes”, disseram os militares.
Essa é o terceiro caso envolvendo a mesma vila, que é predominantemente cristã. Em abril, dois soldados foram condenados à 30 dias de prisão após participarem da danificação de uma estátua de Jesus Cristo. Um dos militares deu golpes de marreta na imagem, enquanto o outro filmou a ação.
Dias depois, uma nova investigação foi aberta pelas IDF após a divulgação de um vídeo que mostrava soldados israelenses danificando painéis solares com uma escavadeira. A ação foi denunciada pela imprensa libanesa, que informou que os painéis forneciam eletricidade para a cidade e alimentavam a estação de tratamento de água.
Ofensiva no Líbano
Israel voltou a trocar hostilidades com o Hezbollah — grupo paramilitar com sede no Líbano — no início de março. Os ataques começaram após os militantes, aliados do Irã, lançarem drones contra Tel Aviv em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos em Teerã, que visa eliminar o programa nuclear do país.
Por semanas, as tropas israelenses atuaram em todo o Líbano, incluindo na capital, Beirute. Além dos ataques aéreos, que já deixaram mais de 2,7 mil mortos e 8,3 mil feridos, os militares iniciaram uma operação por terra, visando expandir a zona de segurança no sul do país. Em 24 de março, o governo israelense anunciou a ocupação militar da região.
Em abril, Israel e Líbano chegaram a um acordo de cessar-fogo. Em comunicado, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, que mediou as conversas, afirmou que os países concordaram em estabelecer negociações para uma "paz duradoura" durante a vigência da trégua. O Exército israelense, no entanto, optou por manter as tropas na região.









