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Israel enfrenta novas críticas por ataques em Rafah que mataram 45 pessoas

A ofensiva deste domingo (26) foi uma das mais mortais do conflito, aumentando o número total de palestinos mortos

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Vithor Laureano
27/05/2024, 14:43 • Atualizado em 28/05/2024, 00:47
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Cidade de Rafah é bombardeada | Reprodução/@KufiyyaPS

Cidade de Rafah é bombardeada | Reprodução/@KufiyyaPS

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Israel está sob nova críticas por ataques na cidade de Rafah, no sul de Gaza, neste domingo (26), que, segundo autoridades de saúde locais, resultaram na morte de pelo menos 45 palestinos. Entre os mortos estão pessoas deslocadas que viviam em tendas que foram incendiadas. As informações são da agência de notícias Associated Press (AP).

A crescente crítica internacional à guerra de Israel contra o Hamas inclui manifestações de aliados próximos, como os Estados Unidos, que expressaram indignação com as mortes de civis. Israel defende que cumpre o direito internacional, embora esteja sob escrutínio de tribunais internacionais, um dos quais recentemente exigiu a suspensão da ofensiva em Rafah.

Israel afirmou que está investigando as mortes de civis e que o alvo era uma instalação do Hamas, onde foram mortos dois militantes seniores do grupo. O ataque de domingo à noite, considerado um dos mais mortais da guerra, elevou o número total de mortos palestinos para mais de 36.000, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, ligado ao Hamas, que não distingue entre combatentes e civis em sua contagem.

"O estado das pessoas que resgatamos era insuportável", disse Mohammed Abuassa, que ajudou no resgate em Tel al-Sultan. "Encontramos crianças em pedaços, jovens e idosos. O fogo no acampamento era devastador."

O Ministério da Saúde de Gaza informou que cerca de metade dos mortos eram mulheres, crianças e idosos. Nesta segunda-feira (27), crianças descalças continuavam a vasculhar os destroços carbonizados em busca de sobreviventes.

Reações internacionais e críticas crescentes

A França, um aliado próximo de Israel, manifestou indignação com a violência. "Essas operações devem parar. Não há áreas seguras em Rafah para civis palestinos. Exijo respeito total ao direito internacional e um cessar-fogo imediato", escreveu o presidente Emmanuel Macron no X.

O Alto Representante da União Europeia (UE) para as Relações Exteriores, Josep Borrell, expressou-se "horrorizado" nesta segunda-feira (27) com o ataque.

"Horrorizado com as notícias vindas de Rafah sobre os ataques israelenses que mataram dezenas de pessoas deslocadas, incluindo crianças pequenas", escreveu Borrell em uma publicação na rede social X (antigo Twitter). Ele acrescentou: "Condeno este ato com a maior veemência".

"Não há lugar seguro em Gaza. Esses ataques devem cessar imediatamente. As ordens do TIJ (Tribunal Internacional de Justiça) e o DIH (Direito Internacional Humanitário) devem ser respeitadas por todas as partes", declarou Borrell.

Rafah, na fronteira com o Egito, abrigava mais de um milhão de pessoas deslocadas de outras partes de Gaza. Desde o início deste mês, quando Israel lançou uma incursão na cidade, a maioria dessas pessoas fugiu novamente, vivendo agora em acampamentos improvisados e insalubres.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel deve destruir os últimos batalhões do Hamas em Rafah. No domingo, o grupo lançou foguetes em direção ao centro de Israel, ativando sirenes de alerta, mas sem causar feridos.

O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, alertou que bombardeios como o de Rafah terão repercussões duradouras. "Israel está enraizando ódio que afetará futuras gerações. Preferiria outra abordagem," disse à SKY TG24.

Impactos nas negociações de paz

O Qatar, mediador nas negociações de cessar-fogo entre Israel e Hamas, afirmou que os ataques complicam as negociações, que têm sido marcadas por impasses devido às demandas do Hamas por uma trégua duradoura e retirada das forças israelenses, condições rejeitadas publicamente por Israel.

Egito e Jordânia, que mantêm tratados de paz com Israel há décadas, também condenaram os ataques. O Ministério das Relações Exteriores do Egito classificou o ataque em Tel al-Sultan como uma "flagrante violação do direito humanitário internacional", enquanto a Jordânia o chamou de "crime de guerra".

A principal autoridade jurídica militar de Israel, Maj. Gen. Yifat Tomer-Yerushalmi, afirmou que as autoridades estão investigando os ataques e lamentou a perda de vidas civis. Em uma conferência de advogados israelenses, ela revelou que Israel iniciou 70 investigações criminais sobre possíveis violações do direito internacional, incluindo a morte de civis, as condições em uma instalação de detenção para suspeitos de militância palestina e mortes sob custódia israelense.

Israel alega que possui um judiciário independente capaz de investigar abusos, mas grupos de direitos humanos criticam a falta de investigações completas e as punições leves para soldados responsáveis por violência contra palestinos.

Negando as acusações de genocídio feitas pela África do Sul no Tribunal Internacional de Justiça, Israel contestou a ordem do tribunal para cessar a ofensiva em Rafah, decisão que não pode ser aplicada. O promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional busca mandados de prisão contra Netanyahu, o ministro da Defesa Yoav Gallant e três líderes do Hamas por crimes relacionados à guerra.

Israel afirma que cumpre as leis da guerra e enfrenta um inimigo que se embute em áreas civis e não liberta reféns incondicionalmente. O conflito começou com um ataque do Hamas em 7 de outubro, que resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas, principalmente civis, e na captura de aproximadamente 250 reféns. O Hamas ainda detém cerca de 100 reféns e os restos mortais de outros 30, após a maioria dos reféns terem sido libertados durante um cessar-fogo no ano passado.

Cerca de 80% dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza fugiram de suas casas, enfrentam fome severa, e partes do território estão em estado de fome, segundo funcionários da ONU.

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