Irã ameaça retaliar Israel caso ataques continuem no Líbano
Regime defende que trégua em Beirute é essencial para acabar com guerra no Oriente Médio; situação preocupa Trump


Presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf | Reprodução/telegram
As Forças Armadas do Irã voltaram a alertar Israel para encerrar a ofensiva contra o Hezbollah, no Líbano. Em comunicado emitido na terça-feira (16), os militares ameaçaram retaliar o país caso o cessar-fogo seja violado novamente.
"Se o Exército assassino de crianças do regime sionista não cessar seus atos de agressão no sul do Líbano, deve esperar uma dura resposta das poderosas Forças Armadas da República Islâmica do Irã", disse o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, alegando que Israel violou a trégua 84 vezes.
A contínua ofensiva israelense no Líbano desafia o acordo entre Estados Unidos e Irã para acabar com a guerra no Oriente Médio, anunciado no fim de semana. Isso porque a trégua em Beirute é uma das principais exigências de Teerã no entendimento, programado para ser assinado em 19 de junho.
Mais cedo, o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que, para a oficialização do acordo, a guerra deve acabar em todas as frentes, incluindo no Líbano, onde Israel deve retirar suas tropas. A fala foi feita durante conversa por telefone com o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri.
O mesmo foi dito pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araqchi, que enfatizou que os ataques precisam cessar “completamente”. Ele sugeriu que Washington – como o aliado mais próximo do regime israelense – exerça pressão suficiente sobre Tel Aviv para interromper os ataques.
Entenda
Israel e Hezbollah voltaram a trocar hostilidades no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Os ataques começaram após o grupo, apoiado pelo Irã, lançar drones contra Tel Aviv em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos em Teerã, iniciada em 28 de fevereiro.
A ofensiva israelenses mirou todo o Líbano, incluindo a capital, Beirute. Além dos ataques aéreos, os militares avançaram por terra, visando expandir a zona de segurança no sul do país. A ofensiva já deixa mais de 3,7 mil mortos e 11,6 mil feridos, segundo dados do Ministério da Saúde local.
Em maio, Israel e Líbano concordaram em prorrogar o cessar-fogo, inicialmente de 10 dias. O período de trégua, no entanto, foi violado diversas vezes por ambas as partes, dificultando as negociações de paz.
No último domingo (14), Estados Unidos e Irã anunciaram um memorando para acabar com a guerra. Entre os pontos centrais do acordo estão um cessar-fogo de 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz. Já o debate sobre o programa nuclear iraniano – que motivou a guerra – deve ocorrer numa segunda fase de negociações.
Israel, no entanto, foi contra o acordo, dizendo que não faz parte do entendimento e que continuará respondendo ataques do Hezbollah. A situação gera um impasse entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que a continuação do conflito “lança uma luz negativa sobre o acordo com o Irã”.
“Israel está lutando contra o Hezbollah há tempo demais, muitas pessoas estão sendo mortas. E você não precisa derrubar um prédio de apartamentos toda vez que procura alguém, porque há muita gente nesses prédios e nem todos são do Hezbollah, isso posso garantir. Sugeri a Israel que deixasse a Síria cuidar do Hezbollah porque, para ser honesto, acho que eles farão um trabalho melhor nisso”, disse Trump.















