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Ex-embaixador dos EUA no Brasil diz que tentativa de proteger Bolsonaro é página virada para Trump

Em entrevista à BBC News Brasil, Thomas Shannon avalia que presidente norte-americano se sentiu “mal informado” ao sancionar o Brasil

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Jessica Cardoso
25/10/2025, 16:12 • Atualizado em 25/10/2025, 16:12
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Thomas Shannon, ex-embaixador dos EUA no Brasil | Paul Morigi/Brookings Institution

Thomas Shannon, ex-embaixador dos EUA no Brasil | Paul Morigi/Brookings Institution

O ex-embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, avaliou que a reaproximação entre Brasil e Estados Unidos resulta de um reposicionamento estratégico de Donald Trump. Segundo ele, isso se deve ao fracasso da tentativa de proteger Jair Bolsonaro (PL) de condenações judiciais e aos impactos econômicos das tarifas sobre produtos brasileiros.

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Em entrevista à BBC News Brasil, publicada neste sábado (25), o diplomata afirmou que a questão envolvendo Bolsonaro já é uma página virada para Trump, embora ele ainda valorize a lealdade ao ex-presidente brasileiro.

“Por que ele vai fracassar de novo quando já fracassou uma vez? Trump é astuto nesse ponto. Ele sabe quando não pode avançar em uma frente e procura outra”, disse.

Shannon também afirmou que Trump se sentiu “mal informado ou induzido ao erro” ao sancionar o Brasil e “que caberia a ele tirar os EUA dessa situação e tentar criar uma solução".

Para o ex-embaixador, o presidente norte-americano aproveitou o encontro pessoal com Lula durante a Assembleia Geral da ONU para transformar um problema bilateral em uma oportunidade diplomática.

"O que ele fez, ao estilo Trump, foi transformar um problema bilateral entre dois países em um encontro pessoal positivo, e usou esse encontro para mudar o tom da conversa entre os dois países. No mundo da diplomacia, isso é um movimento muito inteligente", disse.

Além da questão judicial, a reaproximação é motivada por interesses econômicos. Segundo Shannon, as tarifas impostas pelo governo norte-americano afetam produtos essenciais para consumidores e empresas nos EUA, como café, frango, alumínio, suco de laranja e aviões fabricados pela Embraer.

"Acho que o presidente foi exposto, por meio do setor privado americano, a uma espécie de curso intensivo sobre o impacto que essas tarifas teriam no dia a dia de muitos americanos", afirmou.

Shannon ainda comentou que o impacto das tarifas também influenciou a política interna norte-americana.

"Houve um reconhecimento crescente de que as tarifas prejudicariam politicamente o presidente nos próprios Estados Unidos. E esse costuma ser o fator decisivo. Se os EUA mantivessem um confronto prolongado com o Brasil, isso abriria espaço para a China se aproximar ainda mais do país", explicou.

O ex-embaixador disse que as negociações entre Brasil e EUA devem se concentrar na economia, e não na política. Para ele, as sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades brasileiras devem ser mantidas.

"Estou quase certo de que teremos novidades nessa área [das tarifas econômicas]. Mas ficaria muito surpreso se houvesse algum avanço sobre as sanções do tipo Magnitsky ou as revogações de vistos", declarou.

Shannon também avaliou que o Brasil está em posição estratégica no fornecimento de minerais críticos e terras raras, recursos que, segundo ele, são essenciais para a indústria do século 21.

"Se Brasil, Argentina, Bolívia, Chile e outros tiverem acesso a esses recursos, serão parceiros muito valorizados. Isso deixa o Brasil numa posição de força para negociar", afirmou.

Sobre a estratégia brasileira durante a crise, o ex-embaixador considerou que o país seguiu o caminho correto, resistindo a pressões externas e preservando a autonomia das instituições.

"Acho que o Brasil seguiu o único caminho possível. Os brasileiros nunca permitiriam que uma potência estrangeira se inserisse em um processo criminal ou determinasse quem poderia ou não ser candidato. A questão era conseguir resistir e manter essa posição. Sempre acreditei que daria certo", disse.

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