EUA ainda estão dispostos a negociar com Irã, diz Rubio
Secretário de Estado afirma que país mantém diálogo aberto, mas acusa Teerã de não cumprir acordos e alerta para riscos à de navegação no Estreito de Ormuz

Marco Rubio | Reprodução
Os Estados Unidos continuam dispostos a negociar uma solução diplomática para a crise com o Irã, mas avaliam que Teerã não está levando as conversas a sério. A declaração foi feita nesta quarta-feira (22) pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores do Sudeste Asiático, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio e às ameaças à navegação em rotas estratégicas para o comércio global.
As declarações ocorreram um dia depois de três petroleiros que transportavam petróleo saudita para a Ásia alterarem suas rotas no Mar Vermelho, em aparente resposta às ameaças dos houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã.
O episódio ampliou as preocupações sobre a segurança das principais rotas marítimas de energia do mundo, incluindo o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente.
"Mais uma vez, os Estados Unidos reafirmam seu compromisso com a diplomacia. Somos uma nação sempre disposta a negociar soluções para nossas divergências. Isso continua sendo verdade no caso do Irã", declarou.
O secretário ainda afirmou que a postura iraniana tem impedido avanços. "Infelizmente, apesar de termos chegado a acordos, eles não cumpriram seus compromissos", disse.
"O problema que enfrentamos agora é que eles não estão levando as negociações a sério. Se eles estiverem falando sério, nós também estaremos. Caso contrário, faremos o que for necessário para proteger nossos interesses e os interesses de nossos aliados", completou.
Alerta sobre o Estreito de Ormuz
Durante o discurso, Rubio também alertou para o impacto global de uma eventual tentativa iraniana de controlar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás natural. Segundo ele, permitir que um país controle uma via navegável internacional criaria um precedente perigoso para outras regiões do mundo.
"Se criarmos um precedente no Oriente Médio, onde um Estado pode decidir controlar uma via navegável internacional, cobrar pedágio e, caso você não pague, atacar seus navios, estaremos criando um precedente muito perigoso que poderá se repetir em outras partes do mundo, inclusive nesta região", afirmou, em referência ao Sudeste Asiático e às disputas territoriais no Mar da China Meridional.
Rubio acrescentou que a questão vai além do conflito entre Estados Unidos e Irã. "O que está em jogo não é apenas o que acontece no Estreito de Ormuz. Trata-se de um princípio fundamental da liberdade de navegação. Se isso estiver ameaçado, a economia global também estará ameaçada, assim como as regras que sustentaram cerca de 150 anos de comércio internacional. Isso não pode ser permitido", concluiu.
Cessar-fogo?
Uma alta autoridade iraniana disse à Reuters que Teerã havia recebido uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de 10 dias, em um esforço para salvar o acordo provisório de cessar-fogo assinado pelos EUA e pelo Irã em junho, que substituiu um cessar-fogo anterior, firmado em abril.
Sem nenhum avanço diplomático à vista, as Forças Armadas dos EUA bombardearam alvos em todo o Irã pela 11ª noite consecutiva na terça-feira (21). Moradores de Teerã relataram ter ouvido explosões nas primeiras horas desta quarta, enquanto o Irã ativava suas defesas aéreas sobre a capital, informou a agência de notícias semioficial iraniana Fars.
Três locais na província de Bushehr, no Irã, onde fica a única usina nuclear do país, foram atingidos por ataques dos EUA na madrugada, informou uma autoridade à agência de notícias estatal iraniana IRNA, incluindo um posto de energia elétrica próximo à usina.
O Exército iraniano afirmou ter atacado instalações militares dos EUA no Kuwait, na Jordânia e no Barein com drones nesta madrugada. O Exército informou ter atingido edifícios de alojamento e instalações de armazenamento de equipamentos na base aérea de Al Azraq e, posteriormente, ter atacado armazéns de equipamentos e hangares de manutenção de aeronaves na Base Aérea de Sheikh Isa, utilizando drones suicidas do tipo Arash.
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que 18 militares norte-americanos foram mortos até o momento na guerra, incluindo quatro em ataques iranianos a bases militares norte-americanas na Jordânia e no Iraque nos últimos dias.
Os preços do petróleo subiram ainda mais no mercado asiático, após um aumento de mais de 2% na terça-feira em decorrência das ameaças dos houthis, com o petróleo Brent oscilando acima de US$ 91 (aproximadamente R$ 461,88, na cotação atual) o barril e a gasolina nos EUA voltando a custar mais de US$ 4 (R$ 20,30) o galão.
















