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Irã responde ataque dos EUA e intensifica bloqueio em Ormuz

Exército voltou a lançar mísseis contra bases norte-americanas no Golfo Pérsico; projéteis também foram relatados na Jordânia

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Camila Stucaluc
Irã retalia ataque dos EUA e mira bases militares no Golfo | Reuters

Irã retalia ataque dos EUA e mira bases militares no Golfo | Reuters

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) voltou a atacar bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico nesta terça-feira (21). A ofensiva ocorreu em retaliação aos bombardeios norte-americanos no sul do país, na noite anterior.

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Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês), foram atingidos centros de comando militar, instalações de lançamento de mísseis e drones, estruturas marítimas e sistemas de defesa aérea iranianos. Ao todo, foram cinco horas de bombardeios, concluindo o 10º dia de ataques.

Em retaliação, a IRGC lançou mísseis e drones contra bases militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait. Em comunicado divulgado pela mídia estatal, as tropas afirmaram ter atingido três importantes bases no Kuwait, incluindo um quartel na base aérea de Ahmad Al-Jaber, que apoia operações de Washington.

A Jordânia, que não faz parte do Golfo, mas também conta com presença militar dos Estados Unidos, relatou ter interceptado três mísseis lançados do território iraniano.

Além disso, a IRGC afirmou que interditou dois petroleiros que circulavam pela chamada "rota sul" do Estreito de Ormuz – canal alternativo não reconhecido por Teerã. "Dois petroleiros não conformes, que tentavam passar pela perigosa rota sul do Estreito de Ormuz, foram detidos após explosões causarem grandes incêndios a bordo", disseram os militares, em comunicado divulgado pela estatal Irna.

O aumento das hostilidades entre os países ocorre após dois militares norte-americanos morrerem em um ataque iraniano a uma base dos Estados Unidos na Jordânia, na última sexta-feira (17). Um terceiro militar morreu no sábado (18), no Iraque, em uma detonação controlada de um explosivo vindo de um drone iraniano.

Em declaração à jornalistas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os ataques norte-americanos atingiram o Irã em "homenagem" aos soldados mortos. "Nós os atacamos muito forte de novo hoje à noite. E fizemos isso em homenagem aos grandes patriotas. Cada vez que o Irã matar um soldado americano, pagará por essa morte muitas vezes", disse o republicano.

Entenda

Estados Unidos e Irã voltaram a trocar hostilidades no início de julho, em meio à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz. A rota marítima, que fica entre o Irã e a Península Arábica, é responsável por cerca de 20% do petróleo mundial.

O primeiro ataque foi feito por Washington, em retaliação ao que chamou de “ofensiva iraniana” contra três petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz. Teerã respondeu lançando mísseis contra bases militares norte-americanas no Golfo Pérsico, resultando em novas retaliações.

Os ataques colocam em xeque o memorando de entendimento assinado pelos países em junho, que ampliava o cessar-fogo e restabelecia o tráfego marítimo em Ormuz. A trégua também visava para incentivar as delegações a avançarem nas negociações para um acordo de paz definitivo.

Além do impacto militar na região, a escalada no Estreito de Ormuz já afeta diretamente o mercado global de energia, pressionando os preços do petróleo.

No início desta terça (21), os contratos futuros do petróleo do tipo Brent, referência internacional, chegou a US$ 88,44 por barril, enquanto o preço bruto do West Texas Intermediate, referência norte-americana, ficou em R$ 82,50. Sem o impacto da guerra, os produtos costumam ser cotados entre US$ 50 e US$ 75.

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