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Etiópia: ataques deixam ao menos 60 mortos em Oromia

Igreja Católico-Ortodoxa relata mortes de cristãos em dois ataques; autoria e motivação dos crimes ainda não foram confirmadas

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Julia Delaosa, com informações da Reuters
 Refugiados etíopes  no campo de Fashaga, na fronteira Sudão-Etiópia | REUTERS/Mohamed Nureldin Abdallah

Refugiados etíopes no campo de Fashaga, na fronteira Sudão-Etiópia | REUTERS/Mohamed Nureldin Abdallah

Ao menos 60 pessoas morreram em dois ataques registrados nos dias 20 e 24 de outubro, na região de Oromia, na Etiópia, segundo a Igreja Católica Ortodoxa Etíope Tewahedo. Os episódios também deixaram mais de 20 pessoas gravemente feridas e casas incendiadas. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (27) pela agência Reuters.

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Em comunicado, a Igreja informou que 14 pessoas morreram no distrito de Merti e outras 46 no distrito de Shirka, ambos na zona de Arsi, uma subdivisão administrativa da região de Oromia. Segundo a instituição, todas as vítimas eram cristãs ortodoxas.

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O governo regional responsabilizou o Exército de Libertação Oromo (OLA) e seus aliados, mas não apresentou provas públicas. Uma fonte ligada a uma aliança de grupos armados atribuiu as mortes ao governo regional. O OLA não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

Entenda o conflito em Oromia

Oromia é a maior região administrativa da Etiópia, com cerca de 40 milhões de habitantes. A área enfrenta confrontos há anos entre forças do governo federal e o OLA, grupo insurgente que atua contra as autoridades etíopes.

A rebelião ganhou força em 2018, em meio a disputas políticas e tensões relacionadas aos direitos da população oromo, o maior grupo étnico do país. O conflito é marcado por denúncias de mortes de civis, sequestros, deslocamentos forçados e destruição de propriedades.

Em setembro de 2026, o OLA integrou uma aliança de sete grupos armados que anunciou o objetivo de derrubar o governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed. A participação do grupo na coalizão não comprova seu envolvimento nos ataques recentes.

O governo regional afirmou que os ataques teriam sido planejados para provocar tensões étnicas e religiosas. A acusação, porém, não foi acompanhada de provas públicas que permitam confirmar a motivação.

A Igreja Ortodoxa Etíope condenou as mortes e pediu que as autoridades reforcem a proteção da população e responsabilizem os envolvidos.

A organização de monitoramento de conflitos ACLED avaliou que o ataque de 24 de outubro provavelmente teve motivação religiosa, citando relatos de saque a uma igreja ortodoxa. No entanto, a motivação dos crimes ainda não foi estabelecida de forma conclusiva.

Até o momento, a autoria dos ataques e as circunstâncias exatas das mortes permanecem sem confirmação independente.

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