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Congo ultrapassa marca de 10 mil casos de Ebola

Intensa propagação do vírus aumenta temor de que surto se espalhe pelo restante do continente africano

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André de Sena, com informações da Reuters
Profissional de saúde se preparando para desinfetar área onde foram enterradas vítimas com suspeita de Ebola em Bunia, na República Democrática do Congo | Gradel Muyisa Mumbere/Reuters

Profissional de saúde se preparando para desinfetar área onde foram enterradas vítimas com suspeita de Ebola em Bunia, na República Democrática do Congo | Gradel Muyisa Mumbere/Reuters

A República Democrática do Congo chegou a 10.060 casos confirmados de Ebola e 4.887 mortes. Os dados foram divulgados pelo governo do país africano nesta terça-feira (27).

A epidemia é causada pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola, para a qual ainda não foi desenvolvida vacina. O surto teve início em meados de maio e em pouco tempo se tornou o mais mortal já registrado no Congo e o segundo mais letal de toda a história, ficando atrás apenas da crise que ocorreu na África Ocidental de 2014 a 2016, em países como Guiné, Libéria e Serra Leoa. Na ocasião, houve mais de 28,6 mil infectados e 11 mil mortos.

A intensa propagação do vírus aumenta os temores de que a epidemia se espalhe pelo restante do continente africano. Outros três países já registraram casos da doença: Uganda, Quênia e Nigéria.

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Em Uganda, foram confirmados 20 casos em maio e junho, a maioria importada do Congo. A Organização Mundial da Saúde declarou o país livre do Ebola em agosto.

De acordo com as autoridades ugandenses, não há mais nenhum paciente infectado. No entanto, ainda estão sendo tomadas medidas de segurança. No domingo (25), o ministro da saúde disse que os cidadãos que retornarem ao país depois de passar pelo Congo devem ser mantidos em quarentena por 21 dias.

O Quênia registrou seu primeiro caso neste mês e já chegou a nove pessoas infectadas. A primeira delas foi um homem que havia viajado do Congo até a capital queniana, Nairóbi, passando por Uganda.

O quarto país a ser atingido pelo Ebola foi a Nigéria. A paciente que foi infectada é esposa de um diplomata suíço. Ela e seu marido foram transportados de avião até a suíça na segunda-feira (26). O governo de Berna acredita que ela tenha contraído a doença em uma viagem a Uganda.

Ataques instigados pela desinformação

Também na segunda-feira, as autoridades de saúde congolesas informaram que um enfermeiro que tratava pacientes com Ebola foi morto por um grupo de jovens, em meio a uma série de ataques alimentados pela disseminação de informações falsas sobre a doença.

A desinformação sobre o Ebola inclui alegações de que a doença não existe, teorias conspiratórias sobre sua origem e rumores de que os profissionais de saúde estariam prejudicando os pacientes.

O enfermeiro assassinado trabalhava no hospital geral da cidade de Bafwasende, na província de Tshopo, no leste do país. Ele foi atacado e morto na sexta-feira (23).

Um outro enfermeiro sobreviveu às agressões, embora tenha sofrido ferimentos, e está se recuperando no hospital. Outros profissionais de saúde também estão se refugiando no local, que está sob proteção da polícia e do exército. “Nenhum dos enfermeiros tem dormido em casa porque temem pela própria segurança”, relatou a autoridade de saúde.

Tshopo é uma das oito províncias congolesas que enfrentam uma epidemia causada pela rápida disseminação da cepa Bundibugyo do vírus Ebola.

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