Política

Fuga de Flávio pode dar vaga a suplente que votou Lula em 22

Empresário Paulo Marinho chegou a romper com família Bolsonaro, mas fez as pazes posteriormente; ele é pai de André Marinho, que disputou governo do Rio

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Victor Schneider
Paulo Marinho com os filhos André (esq.) e Danyel

Paulo Marinho com os filhos André (esq.) e Danyel

Com o indício crescente de que Flávio Bolsonaro (PL) deixou o país rumo aos Estados Unidos nesta terça-feira (27), o resto de seu mandato como senador será ocupado por um ex-desafeto: o empresário Paulo Marinho, pai do humorista e político André Marinho (Novo) – que concorreu ao governo do Rio de Janeiro e terminou com 0,54% dos votos.

As rusgas com a família Bolsonaro levaram, inclusive, o empresário a declarar voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022.

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Paulo Marinho foi eleito suplente de Flávio em 2018 e emprestou a própria casa no bairro do Jardim Botânico, Rio, como quartel-general de campanha para Jair Bolsonaro.

O empresário, porém, rompeu com a família em 2020 depois de afirmar, em depoimento à Polícia Federal (PF), que um delegado teria vazado à família informações sobre operação que viria a prender Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), por um esquema de rachadinha.

Marinho contribuiu na oitiva em linha de auxílio às denúncias feitas por Sergio Moro, que deixou o Ministério da Justiça ao acusar Bolsonaro de interferência na PF para blindar o filho de ser investigado.

À época, Flávio afirmou que o empresário teria interesse em prejudicá-lo justamente para herdar a vaga no Senado. “Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão", afirmou.

As pazes foram feitas em 2024 depois de Flávio procurar o empresário, conforme disse André Marinho em publicação ainda na pré-campanha deste ano.

“Embora os ecos do passado ainda existam, foi o próprio Flávio quem, há dois anos, nos procurou para distensionar os ruídos e virar aquela página, revelando, muito antes de tudo, o papel conciliador, sereno e pacificador que hoje o Brasil inteiro já começa a enxergar nele”, disse.

SUBSTITUIÇÃO NÃO É AUTOMÁTICA

A eventual entrada de Marinho no lugar de Flávio no Senado não é automática, no entanto. Pela Constituição, o suplente é convocado em situações como vacância do cargo ou licença superior a 120 dias.

A saída do Brasil, mesmo que definitiva, não provoca a perda imediata do mandato. Para que a vaga seja aberta, seria necessário ocorrer uma das hipóteses legais de perda ou extinção do mandato, como renúncia ou decisão que determine sua cassação.

Outra possibilidade seria a perda do mandato por faltas, caso Flávio deixasse de comparecer a pelo menos um terço das sessões ordinárias de cada sessão legislativa, sem licença ou missão autorizada pelo Senado.

Fuga

O mandato de Flávio como senador termina em fevereiro de 2027. Ele perdeu as eleições no domingo (25) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recuperou o saldo da desvantagem no primeiro turno e comandará o país por um inédito quarto mandato.

Um dia após o resultado, a Polícia Federal intimou Flávio a entregar seus passaportes, alegando risco de fuga – ele é alvo de investigações no caso "Dark Horse" e também por negócios junto ao advogado e amigo Willer Tomaz.

Nesta terça (27), depois de Flávio ficar incomunicável pela manhã, aliados confirmaram à Coluna do Túlio que o senador fugiu para os EUA em um esquema montado de última hora e mantido sob absoluto sigilo, o que surpreendeu inclusive nomes próximos ao senador. Ele teria viajado com a esposa Fernanda e as duas filhas menores de idade.

Quem é Paulo Marinho

Paulo Marinho, 74 anos, nasceu no Rio de Janeiro. Ele construiu carreira com portfólio diverso que inclui mercado financeiro, indústria naval e o setor de comunicação. Começou a trabalhar aos 14 anos na Excelsior Seguros, onde fez a ponte para atuar em corretoras de câmbio e de valores mobiliários. No fim dos anos 1970, criou a própria empresa, a Stock de Valores, e depois passou a atuar na representação de companhias industriais estrangeiras no Brasil.

Na década de 1990, assumiu funções de direção no estaleiro Verolme, em Angra dos Reis (RJ), ligado à construção naval e à fabricação de estruturas para a indústria petroleira, junto ao empresário Nelson Tanure. Depois, também assumiu o Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil, onde chegou à vice-presidência executiva. Ao longo do período, construiu rede de contato com empresários e políticos em Brasília.

Depois de romper com a família Bolsonaro, Marinho filiou-se ao PSDB e assumiu a presidência estadual do partido no Rio de Janeiro, mas migrou para o Republicanos em 2023 pouco antes de reatar com a família.

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