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Sudão: paramilitares anunciam avanço; entenda a guerra

Em relatório obtido por agência de notícias, Nações Unidas classificam guerra civil como a maior crise humanitária do mundo

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Julia Delaosa
O Sudão vem enfrentando conflitos internos desde abril deste ano | UNHCR/Aristophane Ngargoune

O Sudão vem enfrentando conflitos internos desde abril deste ano | UNHCR/Aristophane Ngargoune

As Forças de Apoio Rápido (RSF) anunciaram nesta sexta-feira (31) novos avanços no estado de Kordofan, no Sudão, enquanto o Exército Sudanês (SAF) contestou a informação. Os novos confrontos mostram que a guerra civil iniciada em abril de 2023 continua ativa em diferentes regiões do país.

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O conflito voltou ao centro das atenções após a Reuters revelar, com base em um relatório preliminar das Nações Unidas, que aeronaves Boeing 727 ligadas a empresas identificadas em uma investigação da agência transportaram armas, drones, combatentes e mercenários para a RSF. Segundo o documento, os voos faziam parte de uma rota logística utilizada pelo grupo paramilitar entre o Chade e a região de Darfur.

Os novos desdobramentos ocorrem enquanto as Nações Unidas classificam o Sudão como o cenário da maior crise humanitária do mundo. A guerra agravou a fome, favoreceu a disseminação de doenças e provocou a maior crise de deslocamento do planeta, segundo agências da ONU.

Como a guerra começou?

Segundo as Nações Unidas, a guerra começou em 15 de abril de 2023, após uma disputa pelo poder entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF). O rompimento ocorreu durante o processo de integração das duas forças na transição para um governo civil, que acabou fracassando.

Desde então, os combates se espalharam da capital, Cartum, para regiões como Darfur e Kordofan. De acordo com a ONU, a guerra devastou a infraestrutura, fragmentou instituições do Estado e dificultou o acesso da população à ajuda humanitária, enquanto sucessivas tentativas de cessar-fogo fracassaram.

Por que a crise é tão grave?

As Nações Unidas classificam o conflito no Sudão como a maior crise humanitária do mundo. A organização estima que 33,7 milhões de pessoas precisarão de assistência humanitária em 2026, enquanto 21 milhões enfrentam insegurança alimentar aguda.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), 14 milhões de pessoas já foram obrigadas a deixar suas casas desde o início da guerra. Desse total, cerca de 9 milhões permanecem deslocadas dentro do Sudão e 4,4 milhões buscaram refúgio em países vizinhos, configurando a maior crise de deslocamento do planeta.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o sistema de saúde está à beira do colapso. Mais de um terço das unidades de saúde do país está fora de funcionamento, dificultando o acesso da população a atendimento e medicamentos.

As Nações Unidas também denunciam graves violações de direitos humanos, incluindo violência sexual relacionada ao conflito, recrutamento forçado, prisões arbitrárias e ataques contra civis. Segundo o Unicef, as crianças estão entre as principais vítimas da guerra e representam cerca de metade das pessoas que precisarão de assistência humanitária em 2026.

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