IA: Zuckerberg rejeita apelo do CEO da Anthropic
Dario Amodei fez um apelo para que as empresas diminuam o ritmo de avanço da Inteligência Artificial por causa do risco à segurança

CEO da Meta, Mark Zuckerberg, discursa durante o evento Meta Connect, na sede da empresa em Menlo Park, Califórnia | Carlos Barria/Reuters
O proprietário da Meta, Mark Zuckerberg, rejeitou nesta terça-feira (16) que o ritmo de avanço da Inteligência Artificial coloca em risco a capacidade dos pesquisadores de garantir a segurança dos sistemas, demonstrando uma visão distinta do CEO da Anthropic, Dario Amodei, que fez um apelo para que as empresas diminuam a velocidade de avanço dessa tecnologia.
"Todo laboratório tem a responsabilidade e o incentivo para avançar no ritmo necessário para treinar seus modelos de forma segura, e a capacidade de tomar suas próprias ações para garantir que isso aconteça", escreveu em uma publicação na rede social X.
Segundo ele, as empresas que desenvolvem inteligência artificial já "enfrentam uma responsabilidade legal significativa se seus modelos causarem danos".
Zuckerberg citou o exemplo do agente de inteligência artificial da Meta, o Muse, dizendo que o modelo teve seu lançamento adiado por vários meses para focar em segurança. "Não pedimos para que todos os outros fizessem isso antes de nós. Apenas fizemos como parte do nosso trabalho diário", disse.
No sábado (12), Amodei compartilhou um artigo de sua autoria nas redes sociais afirmando que é necessário desacelerar o avanço. Ele defende que as empresas reservem tempo suficiente para alinhar e proteger seus modelos, e que avaliadores independentes confirmem essas medidas.
Em sua postagem, Zuckerberg tratou desse mesmo ponto. "Envolver avaliadores e consultores independentes é a melhor prática da indústria. A MSL [Meta Superintelligence Labs] já faz isso hoje em várias áreas", disse.
O texto publicado por Amodei veio à público dias após o pesquisador Jacob Coxon deixar a Anthropic, alegando que “as pessoas que estão construindo IA acreditam que a tecnologia pode acabar com a humanidade até o fim da década”.
Reação das autoridades
O artigo de Amodei também gerou reações dos líderes mundiais. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se posicionou a favor de diminuir a velocidade do avanço da inteligência artificial e disse que vai convidar os principais laboratórios a discutir medidas para lidar com os riscos.
“À medida que os modelos de ponta se tornam mais capazes, esses riscos ganham cada vez mais destaque. Os modelos que estão sendo desenvolvidos permitirão ataques de hackers em um nível que nunca imaginamos ser possível. E eles logo estarão nas mãos de adversários que veem o mundo de maneira muito diferente de nós”, alertou durante seu discurso anual ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
Na segunda-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou as propostas para regulamentar esse tipo de tecnologia e alegou que seu país já dispõe de mecanismos suficientes para responsabilizar empresas do setor.
“O único controle ou ‘medida de proteção’ de que a IA precisa é um presidente forte e inteligente, com alto QI. E os Estados Unidos têm isso de sobra”, escreveu em uma postagem na sua rede social, a Truth Social.















