Estamos 'muito próximos' de um acordo, diz Vance sobre Irã
Negociações ocorrem em meio à violação do cessar-fogo por ambos os países


Vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance | Reuters
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, disse na quinta-feira (28) que o governo está próximo de conseguir um acordo para encerrar a guerra no Irã. Segundo ele, Washington ainda precisa alinhar alguns pontos da proposta com Teerã, mas ambos estão “muito perto” de um texto final.
“Se analisarmos o que já conquistamos aqui, supondo que consigamos chegar a um acordo final, estamos reabrindo o Estreito de Ormuz. Ainda não chegamos lá, mas estamos muito perto. Vamos continuar trabalhando nisso”, disse Vance.
A declaração ocorreu após o site norte-americano Axios afirmar que Estados Unidos e Irã haviam concordado com um memorando de entendimento para estender o cessar-fogo e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. O texto, contudo, ainda precisaria da aprovação do presidente Donald Trump.
Apesar do relatado avanço no diálogo, a violação do período de trégua mostra a fragilidade das negociações. Mais cedo, o Irã atacou uma base aérea norte-americana no Oriente Médio após os Estados Unidos atingirem drones iranianos perto do Estreito de Ormuz.
Trump enfrenta uma pressão crescente para encerrar a guerra no Irã, inclusive por aliados dos estados do Golfo e alguns republicanos, que levantaram preocupações sobre a duração do conflito. Apesar de defender a ação contra o programa nuclear iraniano, os parlamentares citam o aumento dos preços dos combustíveis, devido ao bloqueio no Estreito de Ormuz, o que pode impactar as eleições de meio de mandato.
Entenda
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.
No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. A proposta, mediada pelo Paquistão, foi formalizada a menos de 1h30 do fim do ultimato dado pelo presidente norte-americano para a reabertura do Estreito de Ormuz. O republicano havia afirmado que, caso a rota não fosse reaberta, “uma civilização inteira morreria para nunca mais ser ressuscitada”.















