Irã e EUA trocam ataques após Trump negar acordo
Escalada acontece em meio às negociações por cessar-fogo e à disputa sobre a navegação no estreito


Estreito de Ormuz | Divulgação/NASA
O Irã atacou uma base aérea norte-americana nesta quinta-feira (28), depois que os Estados Unidos atingiram o que Washington descreveu como uma operação iraniana com drones perto do Estreito de Ormuz. Mais cedo, o presidente Donald Trump também negou relatos sobre um possível acordo com Teerã.
Apesar de limitados, os ataques reforçaram a fragilidade das negociações para transformar o cessar-fogo firmado no início de abril em um acordo definitivo para encerrar a guerra de três meses e reabrir a rota marítima estratégica.
Uma autoridade dos EUA disse à Agência Reuters que os militares norte-americanos derrubaram quatro drones de ataque iranianos e atingiram uma estação de controle terrestre na cidade portuária de Bandar Abbas, de onde um quinto drone teria sido lançado. “Essas ações foram medidas, puramente defensivas e projetadas para manter o cessar-fogo”, afirmou a autoridade, que pediu anonimato para comentar as operações militares.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou mais tarde que teve como alvo a base dos EUA responsável por um ataque ocorrido no início da manhã perto do aeroporto de Bandar Abbas, segundo a agência de notícias Tasnim.
Sem informar o nome da base, o IRGC declarou que qualquer nova ação contra o que chamou de seus interesses receberá uma resposta “mais importante”.
O Kuwait, que abriga uma grande base norte-americana, afirmou que estava respondendo a ataques com mísseis e drones, sem informar a origem dos disparos.
No Líbano, que segundo o Irã deve fazer parte de qualquer acordo mais amplo para encerrar a guerra iniciada por Israel e Estados Unidos em 28 de fevereiro, Israel afirmou ter iniciado ataques contra estruturas do Hezbollah apoiado pelo Irã na cidade de Tiro.
O Exército libanês informou que um ataque israelense matou um de seus soldados. Já Israel, que ampliou suas operações no Líbano contra o Hezbollah, disse que sirenes foram acionadas no norte do país após a infiltração de aeronaves hostis.
Trump diz que nenhum país pode controlar o estreito
A guerra matou milhares de pessoas e provocou forte alta nos preços globais da energia, alimentando a inflação e pressionando moedas de alguns países asiáticos, ao mesmo tempo em que fortaleceu o dólar.
Trump tem afirmado repetidamente que o fim da guerra está próximo, mas declarou durante uma reunião de gabinete na quarta-feira que ainda não estava satisfeito com as negociações com o Irã. Segundo ele, os EUA não discutem flexibilizar as sanções contra Teerã, uma das principais exigências iranianas.
O presidente norte-americano também negou uma reportagem da TV estatal iraniana sobre um rascunho não oficial de acordo para restaurar, em até um mês, o transporte comercial pelo Estreito de Ormuz aos níveis anteriores à guerra. Segundo a emissora, Irã e Omã administrariam conjuntamente o tráfego na região.
Trump afirmou que nenhum país terá controle sobre a hidrovia e fez ameaças veladas a Omã, país com o qual os EUA mantêm relações militares e econômicas há décadas. “Ninguém vai controlar o estreito”, declarou. “São águas internacionais, e Omã vai se comportar como todo mundo, ou teremos que agir. Eles entendem isso e ficarão bem.”
Omã não comentou a proposta de administração conjunta com o Irã, mas afirmou defender a liberdade de navegação na região. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, manifestou solidariedade a Omã após o que chamou de “ameaças das autoridades dos EUA”.















