Ataque dos EUA atinge casamento e deixa 4 mortos no Irã
Bombardeio foi retaliado por Teerã, que mirou bases militares norte-americanas no Golfo Pérsico
Camila Stucaluc
Estilhaços atingiram a casa onde era realizada a celebração de um casamento | Reprodução/Crescente Vermelho
Ao menos quatro pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas após um ataque norte-americano atingir uma festa de casamento em Kuhestak, no sul do Irã, na tarde de terça-feira (1º). Segundo a organização Crescente Vermelho, entre as vítimas está uma criança.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.
O bombardeio ocorreu no segundo dia consecutivo de ataques por parte dos Estados Unidos. Pelas redes sociais, o Comando Central norte-americano (Centcom) afirmou que os bombardeios foram lançados em resposta às “recentes tentativas de ataques” pelo Irã contra navios comerciais no Estreito de Ormuz.
Foram atingidos locais de defesa aérea, sistemas de radar, ativos e instalações marítimas, capacidades de colocação de minas e locais de comunicação. Um dos ataques resultou na morte dos civis, quando estilhaços atingiram a casa onde era realizada a celebração de um casamento.
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos em países do Golfo Pérsico. As Forças Armadas da Jordânia disseram ter interceptado 13 mísseis balísticos, dos quais 10 foram destruídos, enquanto três caíram em áreas remotas. O Exército do Kuwait também afirmou ter respondido a projéteis iranianos.
A reação veio logo após o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, condenar o ataque. "Mais perigosa do que a própria bomba é a normalização do bombardeio, e mais perigoso do que o silêncio é transformar o silêncio em legitimidade", disse.
Sem acordo à vista
Ainda na noite de terça-feira (1º), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não ter interesse em forçar o Irã a negociar um novo acordo nuclear e, consequentemente, um acordo de paz (leia mais abaixo). Pelas redes sociais, o republicano disse gostar "da posição atual” do país em meio à guerra.
"Eu não poderia me importar menos se eles assinarem um acordo que, para eles, não vale nada. Gosto muito mais da nossa posição atual, com controle quase total do Estreito de Ormuz e a economia deles em colapso total. Eles estão apenas protelando o inevitável. Quando o povo iraniano vai se levantar e lutar?", escreveu.
Entenda
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
Em abril,Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. Um memorando de entendimento foi firmado entre os países em junho, ampliando a trégua para 60 dias, visando chegar a um acordo nuclear definitivo para interromper as hostilidades. O prazo, no entanto, terminou no fim de agosto sem uma solução entre os países.
Ataque dos EUA atinge casamento e deixa 4 mortos no IrãBombardeio foi retaliado por Teerã, que mirou bases militares norte-americanas no Golfo PérsicoMundo2026-09-02T06:34:00.000ZAo menos quatro pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas após um ataque norte-americano atingir uma festa de casamento em Kuhestak, no sul do Irã, na tarde de terça-feira (1º). Segundo a organização Crescente Vermelho, entre as vítimas está uma criança. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. O bombardeio ocorreu no segundo dia consecutivo de ataques por parte dos Estados Unidos. Pelas redes sociais, o Comando Central norte-americano (Centcom) afirmou que os bombardeios foram lançados em resposta às “recentes tentativas de ataques” pelo Irã contra navios comerciais no Estreito de Ormuz. Foram atingidos locais de defesa aérea, sistemas de radar, ativos e instalações marítimas, capacidades de colocação de minas e locais de comunicação. Um dos ataques resultou na morte dos civis, quando estilhaços atingiram a casa onde era realizada a celebração de um casamento. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos em países do Golfo Pérsico. As Forças Armadas da Jordânia disseram ter interceptado 13 mísseis balísticos, dos quais 10 foram destruídos, enquanto três caíram em áreas remotas. O Exército do Kuwait também afirmou ter respondido a projéteis iranianos. A reação veio logo após o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, condenar o ataque. "Mais perigosa do que a própria bomba é a normalização do bombardeio, e mais perigoso do que o silêncio é transformar o silêncio em legitimidade", disse. Sem acordo à vista Ainda na noite de terça-feira (1º), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não ter interesse em forçar o Irã a negociar um novo acordo nuclear e, consequentemente, um acordo de paz (leia mais abaixo). Pelas redes sociais, o republicano disse gostar "da posição atual” do país em meio à guerra. "Eu não poderia me importar menos se eles assinarem um acordo que, para eles, não vale nada. Gosto muito mais da nossa posição atual, com controle quase total do Estreito de Ormuz e a economia deles em colapso total. Eles estão apenas protelando o inevitável. Quando o povo iraniano vai se levantar e lutar?", escreveu. Entenda Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções. Tal acordo, no entanto, foi , que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso. Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia. No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os , e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel. O conflito se expandiu após o, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o, pressionando a economia global. Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. Um , ampliando a trégua para 60 dias, visando chegar a um acordo nuclear definitivo para interromper as hostilidades. O prazo, no entanto, terminou no fim de agosto sem uma solução entre os países.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/ataque-dos-eua-atinge-casamento-e-deixa-4-mortos-no-ira