Arábia Saudita, Paquistão e Turquia firmam acordo militar
Entendimento prevê defesa conjunta diante das crescentes tensões entre Irã, Israel e países do Golfo

Embarcação no Estreito de Hormuz em Omã 12 de abril de 2026 | Divulgação/Reuters
Arábia Saudita, Paquistão e Turquia assinaram um acordo de defesa conjunta nesta sexta-feira (7), unindo três aliados sunitas preocupados com a escalada dos conflitos na região do Oriente Médio.
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Após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o conflito se estendeu e ganhou novos capítulos. Como retaliação, forças iranianas têm atacado a Arábia Saudita e outros Estados do Golfo, além de bloquear carregamentos de energia e dificultar o fluxo no Estreito de Ormuz.
O acordo tem como objetivo fortalecer a dissuasão coletiva contra atos de agressão. Pelo texto, um ataque armado contra qualquer um dos três países será considerado um ataque contra todos, segundo comunicado conjunto.
Embora a declaração não detalhe os compromissos ou as obrigações assumidas por cada país, o documento afirma que o pacto busca reforçar a segurança coletiva e promover a paz, a segurança e a estabilidade na região.
Do ponto de vista militar, o acordo reúne o sétimo maior orçamento de defesa do mundo, o da Arábia Saudita, com o Paquistão, que possui 170 ogivas nucleares, e a Turquia, que mantém um efetivo de 355 mil soldados, o segundo maior contingente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), atrás apenas dos Estados Unidos.
O acordo foi firmado um dia após o Irã elevar o tom e fazer mais ameaças aos países do Golfo. O governo iraniano alertou que qualquer novo ataque norte-americano em seu território provocará retaliações contra aliados na região. A advertência foi transmitida por meio de contatos diplomáticos de alto nível, após Donald Trump ameaçar atacar a rede e a infraestrutura energética do Irã.
Como agravante, os três países também estão preocupados com as posturas militares cada vez mais agressivas de Israel, que continua atacando o Líbano.
Além disso, Donald Trump pode não ficar satisfeito com o acordo desta sexta, sobretudo porque vinha pressionando a Arábia Saudita a aceitar um acordo de paz com Israel nos termos propostos nos Acordos de Abraão.
No mês passado, Trump anunciou um acordo para a transferência de tecnologia nuclear civil, há muito aguardado pelos sauditas, mas condicionou a medida, no dia seguinte, a um acordo de paz entre o reino sunita e Israel.
Turquia e Paquistão são adversários declarados de Israel e, salvo uma reviravolta que leve à normalização das relações de ambos com Tel Aviv, o pacto reforça uma posição conjunta distante da estratégia pretendida pelos Acordos de Abraão de Trump.















