Cidades

Namorado de estudante morta no Ceará é preso preventivamente

João Munhoz Neto é investigado por ameaça e indução a crimes contra a vida; defesa classifica prisão como 'resposta midiática'

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Sofia Pilagallo, com TV Jangadeiro
Isabelle Caractisti, à esquerda, e o namorado, João Munhoz Neto, à direita | Foto: Reprodução/Se liga, Brasil - 21.09.2026

Isabelle Caractisti, à esquerda, e o namorado, João Munhoz Neto, à direita | Foto: Reprodução/Se liga, Brasil - 21.09.2026

João Munhoz Neto, namorado da estudante de Direito Isabelle Caractisti, encontrada morta no último dia 13 no pátio do condomínio onde morava com o companheiro, em Fortaleza, no Ceará, foi preso preventivamente nesta terça-feira (22). Ele é investigado por ameaça e indução a crimes contra a vida.

João chegou à Delegacia de Capturas por volta das 15h, em um veículo descaracterizado. Na noite anterior, havia prestado depoimento por cerca de quatro horas no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O celular dele também foi entregue para perícia.

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A defesa de João classificou a prisão preventiva como uma "resposta midiática" e afirmou que ele não estava no apartamento no momento da morte de Isabelle. Segundo a advogada, a hipótese é de que a jovem, de 22 anos, tenha tirado a própria vida.

A advogada também confirmou que João era casado e estava em processo amigável de divórcio, situação da qual Isabelle supostamente teria conhecimento. Ela ainda negou que o apartamento no prédio onde a jovem morreu tenha sido colocado à venda após a morte, afirmando que o imóvel pertence à mãe de João e é financiado.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais após a mãe da jovem, a professora universitária Isorlanda Caracristi, publicar um vídeo cobrando explicações sobre as circunstâncias da morte da filha. O laudo cadavérico apontou como causa da morte politraumatismo, com lesões no corpo compatíveis com o impacto contra o solo.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) ressaltou que, apesar do resultado do laudo, a dinâmica dos fatos ainda está sendo investigada. Segundo a pasta, somente após a conclusão dos trabalhos será possível esclarecer os fatores que influenciaram a morte da estudante.

Desenrolar dos fatos

No vídeo publicado nas redes sociais, Isorlanda contou que mantinha uma relação próxima com Isabelle e que passou a se preocupar com o relacionamento da filha depois que ela começou a namorar João, então chefe da jovem em um escritório de advocacia. Os dois haviam começado a trabalhar juntos em julho.

Segundo Isorlanda, logo nos primeiros dias do estágio, Isabelle disse ter sido bem avaliada por João, que a teria levado para trabalhar diretamente em seu setor. A mãe afirmou que, apesar de ter ficado orgulhosa com a conquista da filha, achou suspeita a mudança de função.

Ainda de acordo com Isorlanda, Isabelle e João iniciaram um relacionamento menos de 10 dias após o começo do estágio. A mãe afirmou que questionou a rapidez da aproximação e decidiu marcar um almoço para conhecer João pessoalmente. Depois do encontro, disse ter ficado mais tranquila, embora ainda mantivesse desconfianças.

"Coração de mãe sabe, sente, que não tinha uma coisa normal ali, era um exagero, uma coisa muito rápida, uma coisa muito acelerada, coisas que só adolescente tem e não um homem feito de 33 anos de idade", disse.

Pouco tempo depois, Isabelle decidiu ir morar com o namorado, a mãe dele e o irmão. Isorlanda afirmou que não concordava com a decisão, mas que, como a filha tinha 22 anos e era maior de idade, temia que uma briga entre as duas acabasse afastando-as ainda mais.

A mãe relatou ainda que considerava João controlador e disse ter percebido outros comportamentos que a preocupavam. Segundo ela, Isabelle contou que o namorado havia pedido para usar seu cartão bancário e sugerido colocar uma empresa em seu nome.

Último contato

Isorlanda contou que Isabelle havia relatado dores na coluna e, por isso, decidiu passar o sábado, dia 12, com a mãe. No domingo, a jovem voltou para o condomínio onde morava com o namorado para participar de uma missa e de uma procissão da igreja.

Naquele dia, Isorlanda recebeu uma mensagem de Isabelle sobre o preparo de um alimento e, mais tarde, às 19h22, outra mensagem dizendo: "Mãe, eu te amo". Segundo ela, a filha não enviou a mensagem de boa noite que costumava mandar diariamente.

Na manhã seguinte, a mãe afirmou que tentou entrar em contato diversas vezes com Isabelle, sem sucesso. Também disse ter procurado o namorado da filha, mas não recebeu resposta. Depois, percebeu que estava bloqueada.

Isorlanda então foi até o condomínio acompanhada de familiares para tentar localizar Isabelle. Segundo ela, havia uma movimentação diferente entre os funcionários do local. A mãe afirmou que foi informada pela síndica de que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo estava no Instituto Médico Legal (IML).

Isorlanda questionou por que, segundo ela, não foi comunicada diretamente pela família de João sobre a morte da filha. A mãe também afirmou que, cinco dias após a morte, ainda não havia recebido contato do namorado ou de familiares dele. Ao final do vídeo, cobrou respostas sobre as circunstâncias da morte e pediu justiça por Isabelle.

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