Ao menos 40 pessoas morrem em ataque a escola no Irã, diz agência de notícias estatal
Teerã e outras quatro regiões do país foram alvo de bombardeios coordenados entre EUA e Israel neste sábado (28)


Emanuelle Menezes
Pelo menos 40 pessoas morreram em um ataque israelense a uma escola feminina em Minab, no sul do Irã, neste sábado (28). Outras 45 ficaram feridas. A informação foi divulgada pela agência de notícias estatal IRNA.
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, a escola foi bombardeada quando estava "lotada de alunas jovens".
"Dezenas de crianças inocentes foram assassinadas apenas neste local", disse Araghchi.
Na madrugada, a capital do Irã, Teerã, e outras quatro regiões do país foram alvo de bombardeios coordenados entre Estados Unidos e Israel. A Guarda Revolucionária iraniana possui uma base em Minab.
Estados Unidos e Israel não divulgaram detalhes sobre o ocorrido até o momento.
Em retaliação, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que ataques com mísseis e drones foram lançados contra Israel e que todas as bases e interesses dos EUA na região são considerados alvos legítimos, disse um oficial iraniano à Reuters.
O ataque acontece dois dias após representantes do Irã se encontrarem com autoridades americanas na Suíça para debater um novo acordo nuclear. O governo de Donald Trump pede que o regime iraniano limite ou abandone seu programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica – o que é negado por Teerã.
Os representantes haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Neste sábado, no entanto, Trump acusou o país de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após Washington lançar ataques contra instalações nucleares em junho de 2025.
“Garantiremos que os representantes terroristas do regime não possam mais desestabilizar a região ou o mundo, e que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá em breve que ninguém deve desafiar a força e o poder das forças armadas dos Estados Unidos. Estamos fazendo isso pelo futuro, e é uma missão nobre”, disse o presidente.
Na declaração, o republicano ainda instou os iranianos a derrubarem o regime teocrático, que governa o país desde 1979. “Quando terminarmos, assumam seu governo; ele será seu. Esta será provavelmente a sua única chance por gerações. A América está apoiando vocês com força esmagadora e devastadora. Agora é a hora de assumir o controle do seu destino e liberar o futuro próspero e glorioso que está ao seu alcance.”
Entenda
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que ele era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump tenta pressionar o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
As negociações ocorriam em meio a ameaças constantes de Trump. Em diversas ocasiões, o republicano disse que não dispensava a possibilidade de uma operação militar no Irã caso os países não chegassem a um novo acordo nuclear. Com isso, uma frota militar foi enviada à costa do país, deixando Teerã em alerta.








