Irã lança mísseis contra bases norte-americanas em países do Oriente Médio
Ação é retaliação da Guarda Revolucionária iraniana aos ataques coordenados entre EUA e Israel contra a capital do país



Emanuelle Menezes
com informações da Reuters
Bases militares dos Estados Unidos em pelo menos cinco países do Oriente Médio estão sendo atacadas pelo Exército iraniano, neste sábado (28), em retaliação aos ataques coordenados entre Israel e EUA ao Irã. A informação é da agência de notícias Reuters.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que uma primeira onda de ataques com mísseis e drones foi lançada contra Israel e que todas as bases e interesses dos EUA na região são considerados alvos legítimos, disse um oficial iraniano à Reuters.
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que a queda de destroços em uma área residencial de Abu Dhabi causou danos materiais e matou um cidadão asiático. O Bahrein afirmou que uma instalação da Quinta Frota dos Estados Unidos foi alvo de um ataque com mísseis no país. Bases no Kuwait, na Jordânia no Catar também são alvos.
Na madrugada deste sábado, a capital do Irã, Teerã, foi alvo de bombardeios coordenados entre norte-americanos e israelenses. O ataque acontece dois dias após representantes do Irã se encontrarem com autoridades americanas na Suíça para debater um novo acordo nuclear.
O governo de Donald Trump pede que o regime iraniano limite ou abandone seu programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica – o que é negado por Teerã.
Os representantes haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Neste sábado, no entanto, Trump acusou o país de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após Washington lançar ataques contra instalações nucleares em junho de 2025.
“Garantiremos que os representantes terroristas do regime não possam mais desestabilizar a região ou o mundo, e que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá em breve que ninguém deve desafiar a força e o poder das forças armadas dos Estados Unidos. Estamos fazendo isso pelo futuro, e é uma missão nobre”, disse o presidente.
Na declaração, o republicano ainda instou os iranianos a derrubarem o regime teocrático, que governa o país desde 1979. “Quando terminarmos, assumam seu governo; ele será seu. Esta será provavelmente a sua única chance por gerações. A América está apoiando vocês com força esmagadora e devastadora. Agora é a hora de assumir o controle do seu destino e liberar o futuro próspero e glorioso que está ao seu alcance.”
Entenda
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que ele era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump tenta pressionar o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
As negociações ocorriam em meio a ameaças constantes de Trump. Em diversas ocasiões, o republicano disse que não dispensava a possibilidade de uma operação militar no Irã caso os países não chegassem a um novo acordo nuclear. Com isso, uma frota militar foi enviada à costa do país, deixando Teerã em alerta.









