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Anistia Internacional acusa Israel de genocídio na Faixa de Gaza

Relatório menciona ataques direcionados a infraestruturas civis e cerco imposto ilegalmente na região

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Camila Stucaluc
05/12/2024, 07:46 • Atualizado em 05/12/2024, 07:46
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Faixa de Gaza | Reprodução de VT SBT Brasil/AP News

Faixa de Gaza | Reprodução de VT SBT Brasil/AP News

A Anistia Internacional (AI) divulgou, nesta quinta-feira (5), um relatório detalhando as ações do exército israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza. No documento, com 300 páginas, a organização de defesa dos direitos humanas acusou Israel de cometer genocídio contra palestinos na região, uma vez que o conflito já deixou 44,5 mil mortos.

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A guerra em Gaza começou em 7 de outubro de 2023, quando Israel lançou uma ofensiva para responder a um ataque do Hamas que deixou 1,2 mil mortos no sul do país. Desde então, segundo o relatório, o exército israelense vem causando uma destruição sem precedentes na região, em uma velocidade nunca vista no século XXI.

Durante o período, foram contabilizados inúmeros ataques aéreos contra infraestruturas civis, resultando na morte de milhares de inocentes. Apesar de Israel alegar que, muitas vezes, militantes do Hamas se esconderam em áreas densamente povoadas, por exemplo, a AI reforçou que o país tem obrigação de tomar precauções para proteger os civis.

Dos bombardeios aéreos, a organização listou 15, ocorridos entre 7 de outubro de 2023 e 20 de abril de 2024, que mataram pelo menos 334 pessoas. Nestes casos, não foram encontradas evidências de que os lançamentos tinham objetivos militares.

“Embora representem apenas uma fração dos ataques aéreos de Israel, eles são indicativos de um padrão mais amplo de ataques diretos repetidos a civis e objetos civis ou ataques deliberadamente indiscriminados. Os ataques também foram conduzidos de forma a causar um número muito elevado de mortos e feridos entre a população civil”, diz o relatório.

Além dos ataques contra infraestruturas civis, a AI chamou a atenção para o bloqueio ilegal imposto em Gaza por Israel. Além de comprometer serviços de abastecimento de energia elétrica e água, o cerco vem dificultando a importação e entrega de ajuda humanitária, particularmente em áreas ao norte da região, onde Israel retomou as batalhas.

O cenário, combinado com os extensos danos às casas, hospitais, instalações de água e saneamento e terras agrícolas de Gaza, e o deslocamento forçado em massa, causou níveis catastróficos de fome e levou à propagação de doenças em taxas alarmantes. O impacto foi severo, sobretudo, em crianças e gestantes.

“Repetidas vezes, Israel teve a chance de melhorar a situação humanitária em Gaza, mas por mais de um ano se recusou repetidamente a tomar medidas descaradamente ao seu alcance para fazê-lo, como abrir pontos de acesso suficientes a Gaza ou levantar restrições rígidas sobre o que poderia entrar na Faixa ou sua obstrução de entregas de ajuda dentro de Gaza enquanto a situação piorava progressivamente”, pontua o documento.

Agnès Callamard, secretária-geral da AI, afirmou que as descobertas devem servir como um alerta para a comunidade internacional. Ela ainda pediu que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) imponha sanções contra israelenses responsáveis por crimes sob o direito internacional.

“Mês após mês, Israel tem tratado os palestinos de Gaza como um grupo sub-humano, indigno de respeito pelos direitos humanos e pela dignidade, demonstrando sua intenção de destruí-los fisicamente. Isso é genocídio. E deve parar agora”, disse ela.

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