Bolsonaro é ouvido na cadeia por chamar Lula de “cachaça” e associar presidente ao tráfico
Em depoimento à Polícia Federal, ex-presidente negou ter cometido crimes contra a honra do petista e alegou "exercício da liberdade de expressão"



Basília Rodrigues
Paola Cuenca
O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Federal na prisão, em Brasília, na segunda-feira (2), dentro de uma apuração em que é acusado de atacar a honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A informação foi divulgada pelo G1 e confirmada pelos advogados do ex-presidente para o SBT News.
Bolsonaro foi ouvido por um vídeo publicado no YouTube em que associou Lula com traficantes de drogas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, devido à campanha que o presidente fez na comunidade, em 2022.
Fontes ligadas ao ex-presidente afirmam que Bolsonaro negou ter praticado crimes contra a honra de Lula, como os de injúria e calúnia. Para o ex-presidente, as falas faziam parte do exercício da liberdade de expressão e se tratavam de críticas políticas comuns ao ambiente democrático.
Bolsonaro também negou ter tentado atribuir a Lula o cometimento de crimes e reforçou que as declarações faziam parte de um debate político.
A produção de conteúdo que sugeria ligação entre Lula e facções criminosas já havia sido alvo de decisão de retirada de veiculação por ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no período de campanhas.
Investigadores da Polícia Federal também teriam tentado questionar Bolsonaro sobre um tuíte, de março do ano passado, em que Bolsonaro associou Lula ao termo "cachaça" e o xingou de imbecil e canalha. Os advogados do ex-presidente protestaram sobre a mudança de foco e Bolsonaro não respondeu aos questionamentos.









