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Alimentos atingem maiores preços mundiais desde 2022

Índice medido pela FAO chegou a 133,3 pontos em agosto; clima desfavorável e guerras influenciam cenário

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André de Sena, com informações da Reuters
Colheitadeira em plantação (Jeferson M. Antunes/ASCOM Pref. Tibagi)

Colheitadeira em plantação (Jeferson M. Antunes/ASCOM Pref. Tibagi)

Em agosto, os preços mundiais dos alimentos subiram para o maior nível em mais de três anos. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (4) pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

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O Índice de Preços dos Alimentos, por meio do qual a FAO acompanha as variações mensais em uma cesta de produtos alimentícios comercializados internacionalmente, atingiu uma média de 133,3 pontos em agosto. Esse resultado é o maior desde novembro de 2022, quando a média foi de 135,7 pontos. Mesmo assim, fica quase 17% abaixo do recorde da série histórica iniciada em 1990: 159,7 pontos registrados em março de 2022, no mês seguinte à Rússia iniciar a guerra contra a Ucrânia, que é uma das maiores produtoras mundiais de cereais e olhos vegetais.

"O aumento dos preços globais dos alimentos em agosto é um alerta de que o prêmio de risco está retornando aos mercados de alimentos: choques climáticos, tensões geopolíticas e interrupções na logística comercial estão convergindo para restringir as expectativas de oferta", explicou o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, em um comunicado.

O calor extremo e a seca que afetam o continente europeu estão entre os fatores que influenciam neste cenário, prejudicando principalmente as colheitas de milho e beterraba sacarina, bem como a produção pecuária.

Outro motivo de preocupação é o fenômeno climático El Niño, que se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Por conta dele, pode haver problemas na produção de óleo de palma e açúcar na Ásia.

Os conflitos armados também agravam essa situação. A invasão da Ucrânia pela Rússia, em especial a escalada dos ataques no Mar Negro, dificulta os embarques de grãos para exportação. Já a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã diminui o fluxo de fertilizantes utilizados nas plantações.

Em um relatório publicado no mês passado, a FAO reduziu sua previsão de produção global de cereais para 2026, que chegou a 2,980 bilhões de toneladas. Caso esse resultado se confirme, haverá uma queda de 2% em relação a 2025, o que caracterizaria a maior queda anual desde 2018.

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