Política

Marqueteiro de Cury quer deixar STF de lado e mira os 15%

Sérgio Lima diz que não entrará no conflito Moraes-Mendonça e que estratégia agora é apresentar o currículo do candidato para subir ainda mais nas pesquisas

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Victor Schneider
Cury em visita à Federação Israelita do Estado São Paulo, em 2 de setembro | Divulgação/Avante

Cury em visita à Federação Israelita do Estado São Paulo, em 2 de setembro | Divulgação/Avante

Consolidado nas pesquisas da semana como o candidato com mais votos na terceira via, Augusto Cury (Avante) tentará um novo passo na estratégia para chegar ao segundo turno: apresentar, na propaganda de rádio e TV, sua biografia como psiquiatra, best-seller, empresário bem-sucedido e capaz de apaziguar da direita à esquerda e pôr fim à polarização. A meta é chegar ao final da próxima semana com uma fatia de 15% do eleitorado.

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Ao SBT News, o marqueteiro da campanha, Sérgio Lima, diz que a crise no STF entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça não será o foco principal porque tende a atrair uma rejeição indesejada no momento. O marqueteiro explica que a escolha também se baseia em trackings internos da campanha, que não identificaram esse conflito dominando as discussões do público que deseja atingir, sobretudo no meio digital.

“A gente não vai entrar nisso agora. Obviamente, ele já tem uma posição e deixou isso claro, mas não vai entrar nesse debate, nesse enredo. Não vai trazer rejeição para ele mesmo. Vamos deixar que quem tem que se explicar que fale", diz o marqueteiro, em referência indireta ao líderes da pesquisa: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Lima afirma que a campanha se encaminha para o terceiro ato a um mês do primeiro turno. A meta inicial foi captar o eleitorado indeciso e o voto útil – ou seja, os que escolhiam Lula e Flávio menos por vontade e mais por querer impedir a vitória do adversário. Na sequência, Cury acenou para quem tendia à abstenção e não se empolgava com nenhum dos nomes postos até então.

Passado esse momento em que o marqueteiro avalia ter conseguido "furar as bolhas" dos demais candidatos e inserir Cury na discussão, agora o objetivo é fazer com que o eleitor tenha conhecimento de seu currículo e biografia.

“A gente permitiu que o povo conhecesse ele livremente: que apanhasse sem se explicar, que as pessoas pudessem tirar suas próprias conclusões, que os adversários pudessem bater nele à vontade [...] Agora ele vai se posicionar como o grande cara que ele é, a história bonita que tem", diz.

Nas cinco pesquisas nacionais de maior relevo, Cury conseguiu chegar aos dois dígitos em ao menos três: saltou de 2% para 11% na BTG/Nexus, de 4% para 10% no PoderData/Aya e de 2% para 10% na Quaest. No Datafolha, passou dos mesmos 2% para 9%, enquanto o pulo na AtlasIntel foi de 1,6% para 7,8%.

O crescimento veio na sequência de um boom nas redes, com Cury ganhando 2,4 milhões de seguidores de 24 a 28 de agosto no Instagram, como mostram dados da plataforma Social Blade. Para efeito de comparação, é maior do que todo o contingente de Renan Santos (Missão) e próximo ao do duas vezes governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). O desempenho astronômico levantou suspeitas de uso de bots e mecanismos de inflacionamento artificial, o que a campanha nega.

Desde o dia 30, porém, o movimento se inverteu, com Cury retraindo em algumas dezenas de milhares de seguidores. Parte do desafio agora é segurar o público conquistado e evitar a desidratação diante do aumento de ataques dos demais adversários no pelotão da terceira via.

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