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Agressão e pressão para aborto: as acusações contra Alberto Fernández, ex-presidente da Argentina

Fernández é investigado por episódios de violência reprodutiva, verbal, física e doméstica, além de constantes traições. O político nega todas as acusações

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Murillo Otavio
13/08/2024, 23:42 • Atualizado em 14/08/2024, 00:29
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Alberto Fernández 

Alberto Fernández 

Fabiola Yañez, ex-primeira-dama da Argentina, testemunhou nesta terça-feira (13) durante quatro horas sobre as diversas denúncias que faz contra Alberto Fernández, ex-presidente argentino que governou o país vizinho entre os anos de 2019 e 2023.

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Fernández é investigado por episódios diários de violência reprodutiva, institucional, verbal, física e doméstica, além de constantes traições. O político negas todas as acusações.

Depois de fortes imagens que mostram seu rosto machucado por agressões se tornarem públicas, Yañez entregou documentos e falou à Justiça argentina por videoconferência direto de Madri, na Espanha, onde mora desde que Alberto Fernández deixou a presidência.

No final do depoimento, a advogada de Yáñez, Mariana Gallego, disse à imprensa: "ela pôde testemunhar, sentiu-se muito bem, muito apoiada, muito acompanhada, pelo povo, pelo Ministério Público, pelo tribunal que está intervindo".

Violência física e psicológica

Os primeiros casos de violência física aconteceram em 2016. De lá para cá, segundo Yañez, em diversos momentos ela foi agredida, ameaçada e assediada. Ao descrever como eram as agressões físicas, ela disse, por exemplo, que em um desses episódios ele a agarrou violentamente pelo pescoço.

Em um dos casos mais graves, algumas fotos mostraram que, em 2022, ela teve o rosto marcado por hematomas resultantes de socos que o ex-presidente, ainda no cargo de presidente da Argentina, desferiu contra ela.

As fotos se tornaram públicas quando a Justiça encontrou os registros em conversas entre Yañez e a secretária do ex-presidente, María Cantero, durante perícia no celular de Cantero, em um outro processo que faz parte do “caso do seguro”.

+Justiça argentina bloqueia bens e quebra sigilo bancário de Alberto Fernández A partir disso, as agressões começaram a ser desvendadas. A ex-primeira-dama ainda afirmou que havia pessoas no governo cientes das agressões. Uma delas é justamente María Cantero. O outro foi Federico Saavedra, chefe da Unidade Médica Presidencial durante a administração Fernández.

E a outra foi Ayelén Mazzina. Yañez já havia dito que lhe pediu ajuda durante uma viagem que compartilharam ao Brasil enquanto Mazzina era Ministra da Mulher, Gênero e Diversidade. Segundo Yañez, o então dirigente de Fernández nada fez.

Houve casos em que Fabiola Yañez recebia fotos íntimas de relacionamentos extraconjugais de Alberto Fernández. Muito dessas fotos chegaram no celular do filho mais novo, que aparentemente seria usado por Fernández para esconder os conteúdos.

Os muitos casos de assédio, traições, desprezo e agressões era uma constante que causou danos psicológicos que obrigaram o tratamento psiquiátrico, ainda segundo a ex-primeira dama.

Reprodução/redes sociais
Reprodução/redes sociais

Pressão para aborto

Fabiola Yañez revelou que Alberto Fernández a “empurrou para cometer um aborto” porque ele não estava pronto para ser pai. Este episódio é classificado como violência reprodutiva.

Violência reprodutiva é uma forma de violência de gênero em atos que limitam ou que coagem uma pessoa em relação à sua capacidade reprodutiva, afetando a sua autonomia sobre decisões fundamentais como de ter filhos ou não.

Segundo a ex-primeira dama, Fernández atacou-a dizendo que não poderia contar a ninguém que terei um filho.

Assim, caí numa das mais graves formas de violência, a reprodutiva, já que, através das suas ações e das suas omissões (silêncio, abandono, desprezo e acusações) vulnerou a minha autoestima até destruir o meu livre direito reprodutivo, por meio de coação, levando-me a tomar a terrível decisão de abortar o meu filho, gerando-me, assim, graves danos psicológicos e emocionais até hoje", disse Yañez, segundo o jornal RFI.

"Discutimos, mas nunca bati na Fabiola"

Em entrevista para o jornal El País nesta terça-feira (13), Alberto Fernández falou pela primeira vez sobre as acusações. "Discutimos, mas nunca bati na Fabiola", afirmou, alegando que "alguém a encorajou a denunciá-lo" por motivações políticas.

Além disso, afirmou que os quatro anos de convivência foram cheios de brigas, mas diz não se lembrar do dia em que Yañez o repreendeu por ter batido nela.

Alberto Fernández garante que paga mensalmente à ex-mulher uma pensão alimentícia pelo filho que têm em comum. Ele disse que já foi agredido por ela em diversas ocasiões e que vai provar isso na justiça.

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